Outro dia vi um vídeo que não sai da minha cabeça.
Um rapaz sentado sozinho num restaurante, no dia do próprio aniversário. Na frente dele, um bolinho pequeno. No celular, uma chamada de vídeo com os amigos, que cantavam parabéns de longe. Ele cantou junto, sorriu para a tela, se despediu e desligou. E ficou ali. Sozinho de novo, com o bolinho na mesa.
As pessoas que trabalhavam no restaurante tinham visto tudo. Foram lá para trás, conversaram entre elas e decidiram fazer alguma coisa. Pouco depois, voltaram com um bolo e cantaram parabéns para ele. Em voz alta, de perto, de verdade.
Eu me emocionei. E não foi a primeira vez. Quando tenho um tempo e entro no Instagram, vejo de tudo, e quase nada me atravessa. Mas os vídeos que me emocionam de verdade têm sempre algo em comum: alguém escolhendo ser bom.
Há algo que me comove de uma maneira que nada mais é capaz: a bondade.
E digo escolhendo porque, para mim, a bondade não é um traço de personalidade. É uma decisão. Naquele vídeo dá para quase ver o momento em que ela é tomada: aquelas pessoas reunidas lá atrás, pesando, combinando, resolvendo. Elas não precisavam fazer nada. Estavam trabalhando, tinham mesas para atender, tinham seus próprios cansaços. Ninguém teria reparado se simplesmente seguissem o expediente. Elas não seguiram.
Não sei nada da vida delas. Não sei que dores carregam, que contas estão atrasadas, que brigas deixaram em casa naquela manhã. Mas sei que todo mundo carrega alguma coisa. Ser gentil num dia bom não custa nada. O que me comove é a bondade que vem de quem tem motivo de sobra para não ter nenhuma. Aquele gesto não veio de quem não tem problemas, veio de quem, com os problemas que tem, olhou para o outro.
Por isso não acredito que as pessoas genuinamente boas sejam fracas. Pelo contrário. Lutam com seus próprios demônios, poderiam responder ao mundo com a mesma dureza que recebem dele, e ainda assim escolhem a bondade como sua maneira de falar com o mundo. Isso é força, só que uma força discreta, que não faz barulho e quase nunca é vista.
Tem mais uma coisa naquele vídeo que me pegou: o momento que elas escolheram. Não foi durante a festa pela tela. Foi depois, quando a chamada acabou e o silêncio voltou.
Acho que a bondade, no fundo, é isso: perceber que a música acabou para alguém, e decidir cantar de novo.
