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ENEM 2025 e SISU 2026 – A vergonha sem limites

Primeiro ponto

Questões anluadas devido a vazamentos: 3 no total. A suspeita é que o número de questões vazadas possa ter chegado a 7. Talvez mais. Quem se beneficiou disso? Uma determinada parcela de candidatos. Quantos? Ninguém sabe ao certo.

Vamos explorar esta questão.

Cenário 1: Das 180 questões, um aluno acertou 180. Por conta das 3 questões anuladas, acertou 177. Entretanto, ele continua com 100% de acerto.

Cenário 2: Das 180 questões, um aluno acertou 140. Por conta das 3 questões anuladas E que ele tinha acertado, ficou com 137 acertos. Levando em conta que a pontuação máxima passou a ser de 177, o aluno desceu de 77,78% (140 acertos de 180 questões) para 77,40% (137 de 177 questões).

Cenário 3: Das 180 questões, um aluno acertou 137. Por conta das 3 questões anuladas E que ele não tinha tinha acertado, permaneceu com 137 acertos. Levando em conta que a pontuação máxima passou a ser de 177, o aluno subiu de 76,11% (137 acertos de 180 questões) para 77,40% (137 de 177 questões).

Na prática, os alunos que erraram ou mesmo nem tentaram fazer as questões anuladas foram matematicamente beneficiados.

“Ah! Mas o TRI recalibra a pontuação e as notas não são afetadas por conta das questões anuladas.”

Será mesmo?

“Cada questão do ENEM é previamente analisada e recebe três parâmetros, que são fundamentais para o cálculo da nota:

Indica o quão difícil é a questão.

a) Dificuldade

b) Discriminação

Mostra o quanto a questão consegue diferenciar quem domina o conteúdo de quem não domina.

c) Acerto casual (chute)

Estima a chance de alguém acertar a questão sem saber, apenas chutando.

Na medida em que 3 questões são removidas, ocorre um desequilíbrio natural na distribuição dos pesos das questões dentro do modelo matemático/estatístico, que não por acaso não é divulgado pelo INEP. Afinal de contas, se as 3 questões anuladas eram difíceis, por exemplo, tal fato diminui automaticamente a amostra de perguntas difíceis na prova, o que pode descalibrar o modelo, principalmente se as questões forem da mesma área de conhecimento. Sem contar no tempo que o candidato investiu para resolver questões que eventualmente foram anuladas vs candidatos que nem tentaram resolver as questões (assimetria indireta).

A explicação formal do INEP:

Anular uma questão reduz levemente a precisão da estimativa, mas não a justiça do resultado.”

Se a estimativa reduz levemente a precisão e os candidatos brigam na casa dos centésimos de pontos, é ÓBVIO que levemente pode significar ser ou não ser aprovado no curso escolhido.

Transparência passa longe (para variar).

Há controvérsias? Sim. Há quem jure que o ENEM é blindado em relação a este tipo de situação, justamente por conta do TRI. Não me parece o caso, até porque não estamos falando da anulação de apenas uma questão, mas sim de três.

Segundo ponto

Os critérios para correção da redação mudaram sem aviso. Candidatos com notas acima de 900 em ENEMs passados e em simulados, tiveram suas notas reduzidas para 800, e até mesmo 700 em alguns casos. Mas foi pior do que isso… Alguns professores corrigiram com os critérios antigos, enquanto alguns corrigiram com os critérios novos. Enfim… Uma BAGUNÇA!

O INEP vem negando desde o início que esta mudança de critérios tenha ocorrido, mas…

Documentos sigilosos mostram que correção da redação do Enem 2025 seguiu ‘regras’ diferentes de anos anteriores

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/02/05/exclusivo-documentos-correcao-redacao-enem-2025.ghtml

Terceiro ponto

E para fechar com chave de ouro, candidatos com notas de anos anteriores (2023 e 2024) participaram em condições de igualdade com candidatos do ano de 2025, sendo que o sistema escolheu automaticamente a edição que gerasse a melhor média ponderada. E isso nos remete ao item 2.

Um candidato que tirou 960 na redação do ENEM de 2024 e usa esta nota para concorrer com quem fez o ENEM 2025, possui ampla vantagem sobre quem utilizou as notas de redação do ENEM 2025, lembrando que o SISU 2026 (inscrição nos cursos) usa como base a nota bruta do candidato para determinar a nota final para o curso escolhido.

Exemplo: Em um curso onde o peso da redação é 2, o aluno que tirou 960 no ENEM 2024, leva larga vantagem sobre um aluno que tirou 800 pontos no ENEM 2025 devido aos novos critérios de correção que sequer foram informados para os alunos.

Percebem a gravidade do prejuízo?

Quarto ponto

Supondo que tudo que eu tenha relatado até aqui esteja equivocado, como explicar que as notas de corte dos cursos dispararam?

“Com um volume maior de notas disponíveis, o sistema tende a reunir candidatos com desempenhos mais altos, o que naturalmente eleva as notas de corte.”
— Leonardo Monteiro, Fundação Bradesco [vestibular…uol.com.br]

A causa principal? A aceitação de notas de 3 ENEMs. E contra fatos, não há argumentos. O fato é que os candidatos deste ano não concorreram em condições de igualdade com candidatos de anos anteriores.

Conclusão

O ENEM 2025 é puro suco do Brasil. Desinformação, bagunça e, acima de tudo, completa falta de transparência.

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P.S. 11

Tá tudo uma bagunça, mas foi na bagunça que eu encontrei tudo.