Essa é das antigas… Mais uma vez, autoral. 🙂
Memorável
Talvez a graça esteja no teu ir e vir
No teu não voltar
No teu ficar
No imprevisível que vem de ti
Talvez esteja nas tuas falas
No que com convicação afirmas
No que dizes sem dizer
No teu silêncio que cativa a alma
Ou talvez esteja no teu hálito
No ar que respiras
Nas ruas que desfilas
Mesmo que não seja para mim
Quiçá és bruja e eu nem sei
E a beleza que ostentas
É Digna do Museo del Prado
Pura alma cigana – incomparável
E nas curvas que não naveguei
Nos teus gostos que nunca provei
Afogo-me entre risos e lágrimas
E clamo para que não rias dos meus pecados
Que fique claro:
Não careço de licença
Nem preciso de tua permissão
Para que com pura sofreguidão
Eu engula-te sem deixar sobrar nada
És bem mais que memorável
Sempre foste e ainda és
A leveza que pode ter uma mulher
Mesclada com uma égua chucra indomável
Memorável
Memorável
Infinitamente memorável