Avatar de Desconhecido

O que permanece

De tudo, o amor ainda resta.

A chama permanece. Nem sempre ilumina o suficiente.

Há caminhos que o amor percorre, mas há portas que o amor não abre.

E talvez a parte mais difícil não seja deixar de amar.

Seja descobrir que amar, mesmo com todas as forças da alma, pode não ser o suficiente.

E sentir, profundamente, que a parte mais bonita que há em mim, talvez nunca encontre lugar para existir.

Não por falta de verdade ou da mais absoluta entrega.

Apenas porque algumas distâncias são maiores do que os braços que estendemos.

Maiores do que tudo o que temos para oferecer.

E algumas portas permanecem fechadas para quem bate nelas com o coração.

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De novo, talvez

Talvez amanhã.

Talvez nunca, meu bem.

A essência do talvez é essa:

Uma moeda arremessada,

Um cara ou coroa

misturado com a Lei de Murphy,

com a Lei do Karma,

com a opinião de quem

mal te conhece

ou quer saber

dos teus porquês.

Se estou certo?

Veremos…

Talvez.

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O vento sabe

Casa acesa.

Sombras dançam na janela.

Não entro nelas.

O vento sabe meu nome,

mas ninguém o pronuncia.

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Sashimi

Não tenho culpa
de te seguir com os olhos,
enquanto você repousa
do outro lado da mesa.

Tua boca pede,
teu perfume invade,
teu pescoço puxa,
teu silêncio cobra:
tudo em ti pulsa.

Você entrega tudo no olhar.

Desejo cru.

E nenhum de nós dois sabe —
ou quer —
fugir disso.

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Quase…

Quase…

Foi feliz,

Se entregou sem temor,

Pisou fundo no acelerador,

Sendo profundamente amada, amou,

Viveu.

Outro dia, quase foi gol.

A bola beijou a trave!

A torcida gritou!

Mas o jogo terminou 0 x 0.

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Eixo do instante

No tempo que passa,

o instante se pergunta:

prioridades

são pontes invisíveis

entre o ser e o tornar‑se.

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Aprendiz

Me desculpa por aquilo que eu não disse,
Quando te amei, virei para o lado, e adormeci.
Eu diria no dia seguinte,
Da mesma forma de sempre,
Com a mesma vontade de sempre,
Em um dialeto que só tu serias capaz de entender.

Me desculpa se, no meu cansaço,
Relaxei nos teus braços, triunfante,
Radiante, eufórico, vitorioso,
Sentindo ainda o torpor do nosso gozo,
Teu cheiro em meu corpo,
Meu coração em tuas mãos.

Me desculpa pela minha verdade,
Pela minha ingênua sinceridade,
Por nunca ter te ocultado nada,
Por ser simples, previsível, correto,
Do meu amor estar sempre certo,
Sempre homem, todo teu.

Me desculpa por não ter te traído,
Por em nenhum momento ter te esquecido,
Por te achar a mais linda de todas,
De todas as que eu nunca quis,
E que diziam, me fariam – quem sabe – feliz!
Mas não eram como eras, como sou.

Agora que fostes embora,
Abraço-me á solidão de minhas horas,
Revelando-me aos poucos, sem pressa,
Para o mundo, que com todas as portas abertas,
Me acolheu, me convidou, me escolheu,
Para ser do amor um eterno aprendiz.

bertrand_russel_temer_o_amor_e_temer_a_vida_e_os_que_temem

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Abrigo e luz

Um gesto de afeto

atravessa o dia cinzento:

abrigo e luz.

Há gestos que mudam vidas

sem saber que o fizeram.

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Dona de Si

Perceba, mulher, que seu único erro é querer ser feliz,
ser dona do próprio nariz.
E isso em muitos causa medo, embora ninguém o admita,
pois a mulher que escolhe o próprio rumo já não vive submissa.

Conheço seus passos cercados por opinião,
por vozes que chamam cuidado aquilo que é contenção.
Mas amor não é cerca, nem vigia, nem juiz;
quem ama não dita caminhos para quem quer ser feliz.

Então erga a sua voz, siga adiante, sem temor,
não carregue nas costas a culpa, a tristeza ou a dor.
Pois a mais bela resposta que uma mulher pode dar é prosseguir,
vivendo a própria verdade, livre para decidir.

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Eu ardo

Não acendo por pedido,
não apago por ausência.

Sou carne em brasa,
sou pulso que ruge,
sou presença que rasga o escuro
mesmo quando não sou visto.

Ninguém me desliga.
Eu ardo.