Avatar de Desconhecido

O que permanece

De tudo, o amor ainda resta.

A chama permanece. Nem sempre ilumina o suficiente.

Há caminhos que o amor percorre, mas há portas que o amor não abre.

E talvez a parte mais difícil não seja deixar de amar.

Seja descobrir que amar, mesmo com todas as forças da alma, pode não ser o suficiente.

E sentir, profundamente, que a parte mais bonita que há em mim, talvez nunca encontre lugar para existir.

Não por falta de verdade ou da mais absoluta entrega.

Apenas porque algumas distâncias são maiores do que os braços que estendemos.

Maiores do que tudo o que temos para oferecer.

E algumas portas permanecem fechadas para quem bate nelas com o coração.

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À margem

Passei anos oferecendo lugares à mesa.

Guardando cadeiras.

Acendendo luzes.

Abrindo janelas e portas.

Achava que era assim que se dizia:

“fico feliz quando estás aqui.”

Mas as palavras nem sempre chegam ao destino que imaginamos.

O mesmo gesto

atravessa o rio

e pode desembarcar com outro nome.

Só então compreendi

que não foi a minha oferta que mudou:

Foi a margem.

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Portas e janelas abertas

Deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor adentrar se assim desejar.

Deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor partir se assim desejar.

Mas sobretudo deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor permanecer se assim desejar.

Porque amor só é amor assim:

Liberdade de ir e vir,

Liberdade para ficar.

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Obedeça à sinalização

O inconformismo

Que tantas vezes me bateu à porta

Fez-me bater na porta

Até eu bater a porta

Para nunca mais abri-la.