Avatar de Desconhecido

Mapas

Passei dias lendo o voo das aves,
buscando no céu alguma direção;
mas aves conhecem apenas ventos,
não o destino de um coração.

Consultei marés, sombras e faróis,
cada sinal parecia dizer algo de mim;
mas os mapas confundem quem os segue,
quando o porto não está no fim.

Então a voz rompeu a distância,
e o que era névoa encontrou tradução;
há perguntas que moram nos astros,
e respostas que vivem na confissão.

Nenhum silêncio traduz um coração.
Só a coragem lhe dá linguagem.

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O chamado

Por que me chamou e falou comigo? Não sei. Por que respondi? Não sei.

Não chamei. Fui chamado. Você me chamou e nem percebeu. Você me chamou e eu vim.

A vida é assim. Quando há uma conexão de almas, quando há mais do que pode ser visto com os olhos, o mundo se transforma em um lugar mágico e sagrado. Não resta espaço para a dúvida, para o medo. As coisas acontecem simplesmente porque tem que acontecer, e o universo conspira para isso. O universo mostra o caminho, as respostas. Nos surpreende, nos faz ir em frente. O universo é por nós quando estamos em busca de nós mesmos.

Não se surpreenda se as suas necessidades e desejos mais profundos forem atendidos sem que precise sequer verbaliza-los. Há mais, muito mais do que pode ser visto com os olhos. Há o que só pode ser visto e sentido pelo coração.

almasgemeas1

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O que permanece

De tudo, o amor ainda resta.

A chama permanece. Nem sempre ilumina o suficiente.

Há caminhos que o amor percorre, mas há portas que o amor não abre.

E talvez a parte mais difícil não seja deixar de amar.

Seja descobrir que amar, mesmo com todas as forças da alma, pode não ser o suficiente.

E sentir, profundamente, que a parte mais bonita que há em mim, talvez nunca encontre lugar para existir.

Não por falta de verdade ou da mais absoluta entrega.

Apenas porque algumas distâncias são maiores do que os braços que estendemos.

Maiores do que tudo o que temos para oferecer.

E algumas portas permanecem fechadas para quem bate nelas com o coração.

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Quero ser caminho

Talvez eu tenha sido apenas ponte,

aquela que serviu para reconectar

histórias,

pessoas,

memórias.

E talvez tenha sido esse,

desde o princípio,

o meu propósito.

Nobre, talvez.

Triste, com certeza.

Eu queria continuar

fazendo parte da jornada,

dividindo a paisagem,

o cotidiano,

os pequenos acontecimentos

que dão nome aos dias.

Tenho orgulho

de ter sido ponto de encontro,

passagem segura,

abrigo entre margens.

Mas, no fundo do coração,

o que eu queria mesmo

não era apenas ligar caminhos.

Era caminhar por eles.

Porque há pontes que unem destinos,

mas não seguem viagem.

E eu,

apesar de todo o orgulho,

queria ter sido mais que travessia.

Queria –

e ainda quero –

fazer parte da jornada.

-=-=-=-

Tenho feito algumas experiências no Instagram. É a poesia narrada por mim. Ficarei grato em receber qualquer tipo de feedback. 🙂

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O tempo decide

Entre dois destinos,

o coração hesita:

o tempo decide.

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Kintsukuroi

Não é o mesmo,

mas nas linhas de ouro

permanece.

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Kintsugi

Houve um tempo
em que o coração cedeu
sem barulho.

Não foi um rompimento abrupto:
foi desgaste,
pressão contínua,
até que algo se partiu por dentro.

E ali ficaram as marcas:
fibras abertas,
fendas expostas,
memórias que não se escondem.

Eu poderia ter coberto com silêncio,
negar a queda,
seguir como se nada tivesse sido.

Mas escolhi outro caminho.

Recolhi os fragmentos –
um a um –
com as mãos que ainda tremiam,
sem negar o que quebrou.

E então compreendi:
não era para esconder as fissuras.

Era para preenchê-las.

Com ouro.

Não para disfarçar a queda,
mas para torná-la parte do que sustenta.

Cada rachadura
recebeu aquilo que ainda havia de melhor em mim:

Presença.

Verdade.

Consciência.

O que antes era ruptura
se tornou desenho,
obra de arte.

Não sou mais o que fui –
ainda bem –
porque o que hoje existe
não é remendo.

É construção.

Há valor onde houve queda.
Há brilho onde houve dor.

E o que um dia foi frágil,
agora se sustenta
com algo que não existia antes de se partir.

Hoje, quando olho,
não vejo o que quebrou.

Vejo ouro.

Vejo permanência.

Vejo um coração
que não voltou ao que era,
e que, ainda assim,
se sustenta.

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O ar frio da espera

A distância não é feita de quilômetros. Ela é feita de silêncios que pesam, de chamadas que não acontecem, de mãos que se estendem no escuro, encontrando apenas o ar frio da espera.

Dizem que o tempo cura, mas o tempo longe de quem ama é um auditor impiedoso: mostra que a cada instante distante, uma fibra da alma se rompe.

A distância machuca – não por afastar o corpo, mas por obrigar a conviver com o fantasma de quem escolheu ficar onde não se alcança.

Quando o caminho se torna longo demais, o coração aprende, por sobrevivência, a parar de bater na porta de quem fez da distância o seu lugar.

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Contador de estrelas

Escrevi e continuo escrevendo,

Muitas vezes, não mais no papel –

Nas nuvens e no céu –

Testemunhas das minhas andanças.

.

E eu que já fui criança –

E queria continuar sendo, confesso –

Me deparo com a rudeza da vida adulta,

Com a falta de esperança.

.

Aonde foram parar os sonhos

De um menino então risonho,

Que pensava que algodão doce

Era pedaço de nuvem?

.

Aonde foi parar o que eu nunca fui,

Mas que queria continuar sendo:

Um futuro farto de boas lembranças,

Um homem com o coração menos duro?

.

Valha-me, Deus, tudo é pranto!

Aonde foi parar o encanto

Do contador de histórias e de estrelas,

Que achava que viver era seguro?

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A esperar

Olho para o mar

E no horizonte,

Vejo o ir e vir das embarcações.

Não vejo a que eu espero.

Não vejo a que sempre estive a esperar.

.

Olho para o mar novamente.

Desta vez com os olhos marejados.

A saudade escorre pelo meu rosto,

Pelo meu peito, até meus pés,

E me deixa de joelhos.

.

Seguro um punhado de areia

E o deixo escorrer por entre meus dedos.

Sou ampulheta viva

E a minha vida

Por mim está a passar.

.

Olho para o mar mais uma vez.

Quem sabe, talvez?

Entre motivos e porquês,

Há um coração que pulsa alto,

Esperando o amor aportar.