Teu lábio quente na minha pele desliza, Desperta o fogo que queima o lençol, Teu sussurro suave é como a brisa, Que nos consome antes do pôr do sol.
Minhas mãos te buscam nas sombras escuras, No compasso lento de uma respiração, Nossas bocas provam texturas puras, Na urgência extrema da nossa atração.
O suor brilha no escuro do quarto, Nesse ritmo louco que nos conduz, De cada traço teu eu nunca me farto, Sendo teu corpo minha única luz.
Quando me recolhes entre os teus braços, o tempo parece esquecer seu ofício. As horas deixam de correr e tudo o que existe é o calor da tua pele junto à minha, o perfume que reconheço de olhos fechados e a certeza silenciosa de que nada me falta.
Poucas pessoas sabem o que é amar alguém a ponto de encontrar paz apenas na sua proximidade.
Eu sei.
Porque existe uma felicidade que mora no som da tua voz, outra no brilho dos teus olhos, mas a mais bonita de todas mora no instante em que me abraças.
Nesse momento, não existe passado. Não existe futuro.
Existe simplesmente o milagre de estar contigo.
Teu abraço tem a delicadeza das coisas que curam sem prometer cura. Ele não apaga as cicatrizes da vida, mas faz com que eu me esqueça delas por alguns instantes. E, enquanto repouso junto a ti, sinto que todos os caminhos que percorri me trouxeram exatamente para ti.
Porque é isso que encontro em teu abraço.
Não apenas carinho.
Não apenas desejo.
Mas a rara e bela combinação dos dois.
A ternura que acalma e a paixão que incendeia.
A paz de quem chegou em casa e a vertigem de quem continua apaixonado.
Em teus braços, não preciso escolher entre abrigo e fogo.
Encontro ambos.
Pertencimento.
E talvez amar seja exatamente isso: passar a vida inteira procurando um lugar onde a alma possa descansar e, um dia, descobrir que esse lugar tem o nome da pessoa amada.
Me desculpa por aquilo que eu não disse, Quando te amei, virei para o lado, e adormeci. Eu diria no dia seguinte, Da mesma forma de sempre, Com a mesma vontade de sempre, Em um dialeto que só tu serias capaz de entender.
Me desculpa se, no meu cansaço, Relaxei nos teus braços, triunfante, Radiante, eufórico, vitorioso, Sentindo ainda o torpor do nosso gozo, Teu cheiro em meu corpo, Meu coração em tuas mãos.
Me desculpa pela minha verdade, Pela minha ingênua sinceridade, Por nunca ter te ocultado nada, Por ser simples, previsível, correto, Do meu amor estar sempre certo, Sempre homem, todo teu.
Me desculpa por não ter te traído, Por em nenhum momento ter te esquecido, Por te achar a mais linda de todas, De todas as que eu nunca quis, E que diziam, me fariam – quem sabe – feliz! Mas não eram como eras, como sou.
Agora que fostes embora, Abraço-me á solidão de minhas horas, Revelando-me aos poucos, sem pressa, Para o mundo, que com todas as portas abertas, Me acolheu, me convidou, me escolheu, Para ser do amor um eterno aprendiz.