Quando me recolhes entre os teus braços, o tempo parece esquecer seu ofício. As horas deixam de correr e tudo o que existe é o calor da tua pele junto à minha, o perfume que reconheço de olhos fechados e a certeza silenciosa de que nada me falta.
Poucas pessoas sabem o que é amar alguém a ponto de encontrar paz apenas na sua proximidade.
Eu sei.
Porque existe uma felicidade que mora no som da tua voz, outra no brilho dos teus olhos, mas a mais bonita de todas mora no instante em que me abraças.
Nesse momento, não existe passado. Não existe futuro.
Existe simplesmente o milagre de estar contigo.
Teu abraço tem a delicadeza das coisas que curam sem prometer cura. Ele não apaga as cicatrizes da vida, mas faz com que eu me esqueça delas por alguns instantes. E, enquanto repouso junto a ti, sinto que todos os caminhos que percorri me trouxeram exatamente para ti.
Porque é isso que encontro em teu abraço.
Não apenas carinho.
Não apenas desejo.
Mas a rara e bela combinação dos dois.
A ternura que acalma e a paixão que incendeia.
A paz de quem chegou em casa e a vertigem de quem continua apaixonado.
Em teus braços, não preciso escolher entre abrigo e fogo.
Encontro ambos.
Pertencimento.
E talvez amar seja exatamente isso: passar a vida inteira procurando um lugar onde a alma possa descansar e, um dia, descobrir que esse lugar tem o nome da pessoa amada.
Hoje conversei com uma pessoa que não encontrava havia algum tempo.
Não fisicamente. Nem em fotografias. Nem nas lembranças.
Encontrei na voz.
As vezes a vida é injusta. Acumula cobranças, perdas, preocupações e dias difceis sobre os ombros de alguém até que a própria pessoa passe a acreditar que se resume àquilo que está enfrentando.
Mas ninguém é apenas os seus dias difceis.
Ninguém é apenas a conta que não fecha, a batalha em andamento ou o problema que insiste em não se resolver
Existem pessoas que são maiores do que as circunstâncias que atravessam.
Hoje me lembrei disso.
Enquanto ela falava sobre o próprio trabalho, ouvi novamente o entusiasmo, a curiosidade e a alegria que sempre admirei.
A capacidade de se deixar tocar pelas coisas que dão sentido aos dias.
Foi bom ouvir aquela voz.
Foi bom perceber que algumas presencas permanecem conosco mesmo quando a distância, o tempo ou os problemas tentam escondê-las.
Há pessoas que nunca desaparecem completamente.
Às vezes apenas ficam atrás das nuvens por um tempo.
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