Peço licença para escutar o teu mar,
não como quem grita ou tenta domar,
mas como quem senta em silêncio na areia,
atento ao sussurro que a maré incendeia.
Sei que guardas o segredo mais antigo do mundo,
relevo macio onde minha boca encontra rumo.
Como quem encosta o ouvido em uma concha rara,
quero escutar a melodia que em ti se prepara.
Não busco o ruído, nem a pressa do vento,
quero decifrar o teu mais sutil movimento.
E ver a maré subir, inundando a conversa,
na medida em que a nossa fala se versa.
Quero aprender a ler tua partitura molhada,
dedilhar o ritmo da nota guardada,
para que a tua voz, antes tímida e contida,
encontre em meus lábios a rima da vida.
Diz-me, em sussurros de carne e maré,
quem tu és quando o mundo te deixa de pé?
Estou aqui, paciente, sem pressa e sem voz,
pronto para ouvir o que nasce de nós.

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