Avatar de Desconhecido

O canto silencioso

Peço licença para escutar o teu mar,
não como quem grita ou tenta domar,
mas como quem senta em silêncio na areia,
atento ao sussurro que a maré incendeia.

Sei que guardas o segredo mais antigo do mundo,
relevo macio onde minha boca encontra rumo.
Como quem encosta o ouvido em uma concha rara,
quero escutar a melodia que em ti se prepara.

Não busco o ruído, nem a pressa do vento,
quero decifrar o teu mais sutil movimento.
E ver a maré subir, inundando a conversa,
na medida em que a nossa fala se versa.

Quero aprender a ler tua partitura molhada,
dedilhar o ritmo da nota guardada,
para que a tua voz, antes tímida e contida,
encontre em meus lábios a rima da vida.

Diz-me, em sussurros de carne e maré,
quem tu és quando o mundo te deixa de pé?
Estou aqui, paciente, sem pressa e sem voz,
pronto para ouvir o que nasce de nós.

Avatar de Desconhecido

Partituramente

Durante um ano inteiro

Executamos a nossa música

 

Lembra?

 

Mais ou menos assim:

Eu te amo

Água na boca

Delícia

Saudades

Gemidos

Voz rouca

Cheiro, calor, sabor, comichão, sufoco

Só para economizar reticências!

 

Transcrita

Minha partitura

Minha mais essencial

E atemporal

Essência

 

Ao longe

A melodia

O ritmo

A harmonia

O clássico

O meio sem jeito

Mas acima de tudo

Pretérito

Presente

Futuro

Muito mais do que perfeito.

corpo