Hoje conversei com uma pessoa que não encontrava havia algum tempo.
Não fisicamente. Nem em fotografias. Nem nas lembranças.
Encontrei na voz.
As vezes a vida é injusta. Acumula cobranças, perdas, preocupações e dias difceis sobre os ombros de alguém até que a própria pessoa passe a acreditar que se resume àquilo que está enfrentando.
Mas ninguém é apenas os seus dias difceis.
Ninguém é apenas a conta que não fecha, a batalha em andamento ou o problema que insiste em não se resolver
Existem pessoas que são maiores do que as circunstâncias que atravessam.
Hoje me lembrei disso.
Enquanto ela falava sobre o próprio trabalho, ouvi novamente o entusiasmo, a curiosidade e a alegria que sempre admirei.
A capacidade de se deixar tocar pelas coisas que dão sentido aos dias.
Foi bom ouvir aquela voz.
Foi bom perceber que algumas presencas permanecem conosco mesmo quando a distância, o tempo ou os problemas tentam escondê-las.
Há pessoas que nunca desaparecem completamente.
Às vezes apenas ficam atrás das nuvens por um tempo.
Perceba, mulher, que seu único erro é querer ser feliz, ser dona do próprio nariz. E isso em muitos causa medo, embora ninguém o admita, pois a mulher que escolhe o próprio rumo já não vive submissa.
Conheço seus passos cercados por opinião, por vozes que chamam cuidado aquilo que é contenção. Mas amor não é cerca, nem vigia, nem juiz; quem ama não dita caminhos para quem quer ser feliz.
Então erga a sua voz, siga adiante, sem temor, não carregue nas costas a culpa, a tristeza ou a dor. Pois a mais bela resposta que uma mulher pode dar é prosseguir, vivendo a própria verdade, livre para decidir.
Em tempos onde homens se veem na necessidade de aprender com outros homens como devem se comportar para serem considerados homens (???)…
Rubem Alves sendo Rubem Alves, mas tenho algo a acrescentar: que a liberdade para voar seja absoluta, e que eu cultive no pássaro o desejo de ficar. ❤️❤️❤️
Há o que ser comemorado? Estou farto de todos os anos desejar felicidades para as mulheres! Que tipo de hipocrisia é esta de minha parte?
As mulheres precisam de muito mais do que isso.
Vi na Internet outro dia:
“Não nos deem flores. Apenas parem de nos matar!”
Releiam esta frase! Sintam essa frase! Percebem do que estamos falando? Do direito das mulheres de viver.
Recentemente, publiquei um texto dizendo que sou antimachista. Sou mesmo e estou em uma cruzada pessoal neste sentido. Tenho uma filha mulher, o que só agrava a situação, além de em nível pessoal e particular acompanhar situações em que a integridade física e psicológica das mulheres está em xeque.
Que negócio é este? A mulher é vítima de violência e não pode contar com o apoio de NINGUÉM. Repito: NINGUÉM. A família, a igreja, e em alguns casos até o Judiciário/Polícia, passam pano! Fica sempre parecendo que a mulher fez por merecer, e que de alguma forma se justifica a violência sofrida!
Ontem mesmo eu estava lendo os comentários sobre o recente estupro coletivo. Um deles é de arrepiar:
“Coitados desses meninos… Acabaram com suas vidas!” A vítima, a mulher, deixada de fora do comentário. E pior: a frase foi dita por uma mulher.
É hora de decidirmos o que queremos para o nosso futuro. Precisamos entender que a nossa sociedade é estruturalmente machista e misógina. As instituições são machistas e misóginas, as relações são machistas e misóginas, e as pessoas, incluindo algumas mulheres, também o são. Enquanto isso não for trazido para o nível do consciente, vamos achar que é assim porque sempre foi assim e está tudo bem.
NÃO ESTÁ TUDO BEM! ESTÃO MATANDO AS NOSSAS MULHERES! E quando não as estão matando, elas estão sofrendo desamparadas, no mais absoluto silêncio.
CHEGA! CHEGA! CHEGA!
É nosso dever coletivo cuidar disso. Como começar? Repudiando a piadinha sem graça do amigo. Não repetindo frases do tipo “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Nos colocando ao lado das mulheres quando necessário. Parecem atitudes pequenas, mas a violência contra as mulheres encontra lastro no dia a dia. É nas pequenas atitudes que os canalhas abusadores encontram justificativas para seus comportamentos intimidadores e perversos.
Então, no dia 8 de Março, pode até haver flores e bombons, mas que haja também firmeza e atitude. E que isso seja uma prática constante e não só um post em um blog qualquer.
Já tive mais cabelo, mas também já tive mais medos. A idade vem com seus prós e seus contras.
Somos ensinados desde cedo a pertencer, o que esconde muitas vezes as ginásticas e malabarismos que precisamos fazer para sermos aceitos, pois a aceitação dos outros é pré-requisito para o pertencimento.
A família, a igreja, a escola, o time, a visão política. Quantos sacrifícios feitos em nome do pertencer?
E se ao invés de pertencer, decidirmos apenas ser? Um ato de coragem, de bravura, que não vem sem dor ou mesmo sem despedidas. Entretanto, a vida me ensinou que quando somos, sabemos que tudo que nos resta é verdadeiramente nosso, e isso se chama liberdade, independência.
Sejamos, então, e se calhar de pertencermos, ótimo. Caso contrário, paciência. Bora viver!
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