Avatar de Desconhecido

Enquanto éramos só nós

Às vezes o vento entra pela casa

sem pedir explicação:

toca o vidro,

move a cortina,

e passa pela mesa

como se já soubesse o caminho.

.

O vinho ainda gelado,

a luz pousada no chão,

os passos que se entrelaçam,

e dançam no pulsar do coração.

.

Ali, tudo acontece sem nome,

sem definição –

e é por isso que acontece.

.

Mas, quando esse mesmo vento

encontra as janelas fechadas,

e as cortinas impedem

a entrada da luz,

a casa muda.

.

Os passos perdem o ritmo,

o ar pesa,

e o que antes fluía

começa a endurecer.

Porque, no encontro,

não cabia explicação alguma –

e nem precisava haver.

.

Era só isso:

duas almas

respirando

o mesmo ar,

sem precisar de nada

que os corpos não possam dizer.

Avatar de Desconhecido

Portas e janelas abertas

Deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor adentrar se assim desejar.

Deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor partir se assim desejar.

Mas sobretudo deixarei as portas e as janelas abertas

Para teu amor permanecer se assim desejar.

Porque amor só é amor assim:

Liberdade de ir e vir,

Liberdade para ficar.

Avatar de Desconhecido

Janelas

Entre tantos parapeitos,

Por que escolheste pousar justo neste?

Justo nestas janelas,

Nas minhas janelas,

Que para mim eram só mais umas janelas –

Entre tantas outras –

De onde eu via o mundo,

E de onde eu não imaginava

Que tu me vias.

 

Abriste meus olhos –

Sim, as tais janelas –

E enxergou-me por dentro,

Enquanto eu sorria do lado de fora.

 

Deixei que o fizesse sem pressa –

Mas também sem demora –

Porque eu não saberia descrever

Tudo que dentro de mim ficou

E nunca foi-se embora.

 

E desde então,

Minhas janelas seguem abertas para o mundo,

Em todo e qualquer segundo,

E de todo e qualquer jeito.

Pois sempre que pousas

No meu parapeito

Convido-te a entrar

Para repousar,

E para te aninhar

Bem dentro –

No centro –

Do meu peito.

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