Avatar de Desconhecido

Enquanto éramos só nós

Às vezes o vento entra pela casa

sem pedir explicação:

toca o vidro,

move a cortina,

e passa pela mesa

como se já soubesse o caminho.

.

O vinho ainda gelado,

a luz pousada no chão,

os passos que se entrelaçam,

e dançam no pulsar do coração.

.

Ali, tudo acontece sem nome,

sem definição –

e é por isso que acontece.

.

Mas, quando esse mesmo vento

encontra as janelas fechadas,

e as cortinas impedem

a entrada da luz,

a casa muda.

.

Os passos perdem o ritmo,

o ar pesa,

e o que antes fluía

começa a endurecer.

Porque, no encontro,

não cabia explicação alguma –

e nem precisava haver.

.

Era só isso:

duas almas

respirando

o mesmo ar,

sem precisar de nada

que os corpos não possam dizer.

Avatar de Desconhecido

Na base da força

Só sei do que sentes

Porque entre um orgasmo e outro

Tua mente não faz mais nada

Além de se despir

 

Não que teu corpo nu revele pouco

Mas nunca quis só isso

E sabes bem disso

Pois minha mente para ti está sempre despida

 

O que eu quero tens por dentro

Mistura de perfume e veneno

Que aprendi a degustar, saborear

E que por por mais que eu me acostume

Queima-me sempre –

Onde jaz meu sistema imune?

 

Pudera…

Até eu estava cansado do meu azedume

Eu já não sentia graça como de costume

E tu estavas lá – Onde?

Nem eu sei

Mas me chamavas para voltar

 

E eu vim a força –

Na tua força, já que eu não tinha

Nada além do insuficiente

Para carregar minha carcaça carente –

Ardente, água ardente, aguardente

Sedento por amor, por vida

 

Vivo…

E ainda assim, castigo!

Longe ou perto, tanto faz

Sempre completamente despidos

Corpos e almas unidos

Por alianças e sonhos

Avassaladoramente eternais.

forca-de-vontade