Avatar de Desconhecido

Enquanto éramos só nós

Às vezes o vento entra pela casa

sem pedir explicação:

toca o vidro,

move a cortina,

e passa pela mesa

como se já soubesse o caminho.

.

O vinho ainda gelado,

a luz pousada no chão,

os passos que se entrelaçam,

e dançam no pulsar do coração.

.

Ali, tudo acontece sem nome,

sem definição –

e é por isso que acontece.

.

Mas, quando esse mesmo vento

encontra as janelas fechadas,

e as cortinas impedem

a entrada da luz,

a casa muda.

.

Os passos perdem o ritmo,

o ar pesa,

e o que antes fluía

começa a endurecer.

Porque, no encontro,

não cabia explicação alguma –

e nem precisava haver.

.

Era só isso:

duas almas

respirando

o mesmo ar,

sem precisar de nada

que os corpos não possam dizer.

Avatar de Desconhecido

Desobvializando

Não espere de mim o óbvio.

O óbvio está em todos,

Em todas as esquinas,

E eu não quero ser só mais um

Para deixar claro:

Se for para ser mais um,

Não faço questão de ser nada,

Porque sei e não abro mão do que sou.

Ando cansado desses jogos,

Dessas coisas babacas do “amor”.

Perde-se tempo em disputas inúteis,

Onde nunca há vencedores.

O amor é para ser sentido,

E não para ser raciocinado,

Mendigado ou exigido.

Se todos os passos são calculados,

E nunca há risco de se pisar em falso,

Não é amor, porque amor é risco

E amar coisa de gente corajosa.

Amor é liberdade,

É asas, é sonhos,

Não tem nada de óbvio.

E por isso eu amo.

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