Encontro o homem do espelho todos os dias.
Já soube seu nome.
Já soube seus sonhos.
Hoje nos observamos com a cautela
de dois estranhos
tentando descobrir
em que momento deixaram de se conhecer.

Entre cartas antigas,
Descansam sopros de vida,
Papéis que ainda guardam
O calor de mãos ausentes.
.
A tinta, já um pouco desbotada,
Sussurra palavras que não envelhecem,
Feito promessas suspensas
No fio delicado da memória.
.
E ali, entre dobras amareladas,
Repousam as fotografias:
Janelas silenciosas do passado,
Onde o tempo se esqueceu de ir embora.
.
Rostos presos em um instante,
Olhares que ainda falam,
Sonhos e sorrisos congelados no ar,
Ecoando pela eternidade.
.
Cartas e fotografias
Adiam e permeiam o tempo:
Quer seja na trama das palavras,
Ou nas imagens de sepulcral silêncio.

Vou me embora
Porque já passou da hora
E eu joguei meus sonhos fora
Em uma lata de lixo.
Vou me embora
Porque na minha memória
Já não há nenhuma história
E meu coração bate fixo.
Mas acima de tudo vou me embora
Porque se apagaram as luzes de outrora
E a única coisa que me revigora
É deitar-me aos pés de um crucifixo.

Sair de cabeça erguida,
Brindar a integridade,
Degustar a verdade,
Manter a sanidade,
Ver as luzes da cidade
E sentir orgulho do eu que já não mais sou.
Porque este eu,
Este que não mais sou,
Lutou como sabia,
Tentou tudo que lhe cabia,
E na sua derrota aparente,
Surgiu vitorioso um dia.
Não venceu ninguém,
Posto que com ninguém competia.
Não humilhou ninguém,
Posto que assim se humilharia.
Foi só um alguém,
Que verdadeiramente existia.
E hoje, mais forte,
Mais valente,
Mais amoroso,
Olho para o eu que já não sou
E agradeço a Deus de joelhos por já ter sido.
Porque tudo que eu era
É hoje pedra fundamental
Do que vivo,
Do que sinto,
Do que acredito,
E de tudo mais que eu já sou,
E de tudo mais que eu ainda serei.

Sigo de cabeça erguida
Ainda que não saiba exatamente
Para onde vou
É que tenho certezas tão grandes
E crenças tão absurdas
Que não posso me dar ao luxo
De ignorar tudo que eu já sei
E permanecer onde estou
Há um senso de urgência
Um furor poético e fático
Uma necessidade de vida
Que nunca antes experimentei
É que me dei conta
Que hoje pode ser
Meu último dia –
Eu simplesmente não sei!
E problemas que vi tão grandes
Se tornaram menores
Barreiras intransponíveis
Desmoronaram
E tudo porque eu decidi
Que de agora em diante
Tudo vai ser assim:
Não mais sobre o que eu perdi –
Ou nunca tive –
Mas sobre o que pode estar adiante
No quebrar da esquina
Logo ali
Podem até chamar de egoísmo –
Não me importo! –
Mas de agora em diante
Eu vou mesmo é pensar mais em mim.

– E por que você me olha? Já te disse adeus!
– É porque quero me lembrar de ti… É o meu jeito. Eu sou assim.
– Lembrar? Você precisa é esquecer! Deixe de ser ridículo!
– E talvez eu seja drummonicamente ridículo. Não me importo. Preciso te olhar e sentir que não posso mais te amar, mesmo que meu coração por isso grite e chore. Exagerado como sempre, mas real. Preciso ver o tamanho do abismo que me espera após a nossa despedida. Preciso aceitar que não sou mais teu, mesmo que cada partícula da minha existência grite o teu nome. Preciso entender que meu futuro está em outras moças, que até ontem para mim eram completamente invisíveis. Preciso sentir uma última batida do meu coração perto do teu, antes que meu coração mergulhe no mundo do desconhecido, do que eu nunca quis, do que sequer sei que é para mim. Mas acima de tudo, meu amor, minha vida, em lágrimas me despeço dos sonhos. Dos nossos sonhos. Da falta que eles farão em mim… E é por isso que quero me lembrar de ti. Porque te esquecer é também de mim me esquecer. E eu quero te guardar para sempre em alguma gaveta ou prateleira, onde eu possa te ver, e me lembrar de ti, de mim, de nós, e justamente por isso sorrir. Eu só te amo.

Há coisas que são só para os olhos
E há aquelas coisas
Que ousam –
Que pousam! –
No ventre,
No útero,
No nascer,
No adeus,
Em Deus,
Há coisas –
E de todas essas coisas –
Há o grito,
Calmo ou aflito,
Onde te penumbro,
E nunca te ofusco.
Há luz,
Há verdade,
Há claridade
Na cerca que não cerca,
No abraço que não prende,
Na doença que não e moléstia,
Na ausência que é presença
Farta e certa.
E tudo
No momento certo,
Quer seja no coração que sangra,
Ou no que o orgulho lacra –
Aberto! –
Renasce por suas próprias forças,
Posto que o amor
Ressurge e urge
No presente fingido,
Cujo futuro –
Decerto –
É comunhão,
Entrega,
Vida,
Sublime abnegação,
Água no deserto.

A gente é o que é
Porque nosso orgulho
É maior que nossa fé
A gente não se fala
A gente deixa
Na esperança de que o outro
Faça o que deveria ser feito
A gente ignora
A gente some
A gente ama
Mas a gente chora
Porque o eu te amo fica guardado
Escondido na memória
A gente só queria que desse tudo certo
Mas a gente se cala
Em prosa e verso
A gente não se comunica
A gente assume que o outro sabe
A gente julga, condena e absolve
A gente é a hipocrisia
A gente é a vida e a morte
Mas no fundo
A gente sabe que não é porra nenhuma
Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama
Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama
A gente é o que decide que é
E se a gente se nega a ser o que de fato é
A gente vive por aí, em busca do que nos falta
Mas de fato só falta o que dizemos que não nos faz falta
E a gente vive por aí fodido, mentindo
Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino
Até que a gente tome uma rasteira
E o tempo pegue a gente no contrapé
E aí vai ser o que de verdade é.

Que tu lembres sempre
Que nunca te esqueci
Nos altos e baixos
Nos picos e nos vales
Eu estava ali
Nem sempre perfeito
Algumas vezes sem jeito
Mas eu estava ali
Pronto para te escutar
Para te ouvir
É o mínimo que eu poderia fazer
Para mostrar o quanto eu te amava
O quanto eu te desejava
Mais do que todas as outras
Tu eras a única que me importava
Entreguei-me por inteiro
Fiel e verdadeiro
E quando parecia
Que estávamos diante de um espinheiro
Eu te carregava no colo
Para só eu me ferir
Ah! Minha parceira
Minha companheira
Meu par perfeito
Dói ver-te ao longe
Dói não sentir-te aqui
E se o destino assim quiser
Que sejamos homem e mulher
Que tu te lembres sempre
Que nunca te esqueci.

Não adianta só pedir; é preciso estar preparado para receber.
Sabe aquela moça que sonha com um príncipe encantado ou o rapaz que torce para encontrar o amor de sua vida? Lamento informa-los, mas o tal príncipe provavelmente não virá em um cavalo branco (pode até vir – nunca se sabe) e o amor de sua vida talvez seja encontrado na sala de espera de um consultório médico.
A vida é assim. Nossos sonhos se realizam sempre. O essencial é trazido até a nossa vida sem que precisemos fazer força. Ele simplesmente acontece.
Entretanto, você não escolhe a hora. Pode acontecer com 18 anos. Pode acontecer com 70. E a pergunta permanece: você está preparado para receber o que pediu?
“Se fosse antes…”
“Já se passou muito tempo…”
“Sou muito novo para isso…”
“O que as pessoas vão pensar de mim?”
“Vou ter que fazer mudanças…”
[insira a sua desculpa acima]
O universo nos ouve o tempo todo. Ele trabalha por nós. Esteja preparado! Não tema! Não super racionalize! Apenas esteja atento e deixe o que você sempre sonhou entrar na sua vida. Dê boas vindas. Agradeça. E acima de tudo, aceite.
Nunca é cedo ou tarde demais. Não há momentos ou lugares errados. Acredite na tua intuição. Tudo acontece quando e como tem que acontecer. Não ignore as inúmeras mágicas que o universo teve que fazer para entregar de bandeja exatamente o que pediu.
