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Resposta


Perguntas se ocupas em mim
o espaço que preencho em ti.

Não sei medir afetos.

Mas sei que tua lembrança
atravessa meus dias sem pedir licença.

Sei que uma mensagem tua
é capaz de iluminar uma tarde inteira.

Sei que tua voz permanece
mesmo depois do silêncio.

Sei que teu perfume insiste
mesmo quando já não estás.

E sei que, entre os encontros
que a vida me ofereceu,
há poucos que habitam meus pensamentos
com tamanha delicadeza
e riqueza de detalhes.

E também sei que, entre as pessoas
que o tempo me trouxe,
há poucas cuja felicidade
importa tanto quanto a tua

Estás aqui.

Agora.

Nestes versos.

No mesmo convite,
que refiz e refaço,
em palavras e gestos,
todos os dias:

Tu és a resposta não só para a tua própria pergunta,
mas para todas que eu tinha antes de ti.

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A tua alegria

Que o dia te encontre leve.

Que as horas te sejam gentis, e que a vida te trate com a ternura que mereces, aliviando o peso dos teus ombros.

Não peço lugar em teus caminhos.

Não agora.

Basta-me saber que há riso em tua casa, que o café não esfria sozinho, que a esperança ainda visita os teus domingos.

Há amores que desejam ser destino único.

O meu, não.

O meu aprende, devagar, que também é uma forma de amar:

alegrar-se quando a felicidade chega até ti,

mesmo que venha por estradas onde eu não sigo.

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Amar é aceitar perder

Há uma ilusão confortável que nos protege, mas também nos impede de viver: a ideia de que podemos amar sem nos expor de verdade.

Como se fosse possível sentir profundamente sem pagar o preço disso.

Não é.

O amor não entra em quem está inteiro demais, protegido demais, intacto demais.

Ele atravessa falhas. Ele exige fissuras. Ele pede risco.

E o risco é sempre o mesmo: perder.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

Perder o outro. Perder a si mesmo. Perder o lugar. Perder aquilo que, por um instante, pareceu definitivo.

Amar é, inevitavelmente, aceitar essa possibilidade. É entrar sabendo que não há garantia.

É dizer “fica” sem poder impedir que alguém vá.

É oferecer o que há de mais verdadeiro sem saber se isso será cuidado ou deixado de lado.

E por isso há quem se paralise…

Não por falta de amor, mas por medo de sentir demais e depois ficar com o vazio.

Porque amar expõe. Amar vulnerabiliza. Amar retira as defesas que sustentam a ilusão de controle.

E, sem controle, surge o medo.

O medo de abandono. O medo de não ser escolhido. O medo de não ser suficiente.

Mas há uma verdade que, cedo ou tarde, se impõe: tudo que se protege demais deixa de acontecer.

Quem não se arrisca, não encontra.

Quem não se abre, não toca.

E o amor, quando fica só na intenção, não passa de uma ideia bonita.

Ali, nada vive.

Eu aceito isso hoje com mais clareza: posso ser deixado, posso não ser escolhido, posso sentir falta.

Mas também sei que, sem atravessar esse risco, nada acontece de verdade.

Viver sem que algo verdadeiro aconteça é, no fundo, uma forma silenciosa de ausência.

Prefiro o risco.

Prefiro o encontro que pode terminar ao vazio de nunca ter começado.

Porque, no fim, amar não é garantir permanência.

É ter coragem suficiente para não impedir que algo real exista, mesmo sabendo que pode não durar.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

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Onde te colocas

Ao lado de teus algozes,

És nada além de um condenado.

Ao lado dos que te amam,

És o elixir da felicidade.

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Beleza

Um cara feio

E uma moça feia

Se encontraram

Bateram de frente

Ficaram juntos

E se tornaram

Lindos.

.

Um cara feio

E uma moça linda

Se encontraram

Bateram de frente

Ficaram juntos

E se tornaram

Lindos.

.

Um cara lindo

E uma moça feia

Se encontraram

Bateram de frente

Ficaram juntos

E se tornaram

Lindos.

.

A beleza

Presente –

Sempre –

Nos olhos

De quem

Acredita.

.

Na beleza

Do lindo

E do feio

Eu acredito.

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Ainda há tempo

Que eu procure pessoas e esteja em lugares onde a minha presença seja celebrada.

Que eu seja recebido e acolhido com sorrisos, e que eu leve sorrisos por onde eu andar.

Que eu olhe e que me olhem nos olhos, mas não com quaisquer olhos: que seja com os olhos do coração.

Que eu guarde com carinho, ternura e respeito, dentro do meu peito, todos os amores que já não mais são.

Que minhas asas, há tanto tempo guardadas, me elevem para que também se elevem meus pensamentos e desejos.

Nunca é tarde demais para voltar a sonhar viver.

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P.S. 48

Quem sabe ficar genuinamente feliz diante da felicidade dos outros já zerou a vida e nem se deu conta disso.

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A vida como é

Não há nada de errado:

Não há inocentes,

Não há culpados.

A vida continua doce

Na ira,

Na birra,

Na verdade

E na mentira.

A vida segue como é

E não como se fosse;

E confesso que se talvez fosse,

Não seria tão boa quanto é.

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Antônio

Segunda-feira. Antônio acordou bem cedo e feliz. Finalmente chegara o dia de iniciar o seu estágio em uma repartição pública. Diga-se de passagem, estágio obrigatório para a sua formatura.

Fez a barba e colocou a sua melhor roupa. Caprichou no perfume. Deu um beijo na mãe e saiu correndo para não chegar atrasado no primeiro dia, ainda mais porque precisava pegar dois ônibus para chegar até a empresa.

Chegou com 45 minutos de antecedência. Não havia uma viva alma no lugar. Apenas um vigia que não podia deixa-lo entrar porque ela ainda não tinha crachá.

Aos poucos, os funcionários e estagiários foram chegando. Ele se dirigiu até a portaria para pegar algum tipo de identificação, mas como o time do RH só chegaria na parte da tarde, recebeu um crachá de visitante e em seguida foi levado até a sala do seu novo chefe.

O chefe o recebeu com entusiasmo. Disse que havia uma mesa e um computador esperando por ele. A tal mesa estava abarrotada de processos, e o chefe se sentou a seu lado para explicar quais os critérios para um processo ser aprovado.

“Parece fácil! Vou dar tudo de mim e terminar logo com isso tudo!”

Os outros funcionários do departamento não pareciam muito empolgados. Fumavam e bebiam café o dia inteiro. Volta e meia sentavam em suas mesas e por lá não ficavam mais do que 30 minutos. Tinha até gente fazendo unha em pleno escritório.

Acabou esquecendo de almoçar e terminou de verificar todos os processos que estavam em sua mesa. Viu alguns olhares atravessados em sua direção, mas não entendeu exatamente do que se tratava. Como já havia passado mais de 30 minutos do fim do horário do seu estágio, foi-se embora. Não antes de falar com o seu chefe, claro, mas foi informado que seu chefe já havia ido embora logo depois do almoço.

Nem os dois ônibus de volta o incomodaram. Comeu alguma coisa em uma birosca na frente da faculdade (era bolsista – passou em primeiro lugar na prova de seleção) e foi para a aula. Chegou em casa acabado, por volta das 23h00. Foi dormir feliz.

No dia seguinte, ao chegar ao escritório, foi chamado pelo seu chefe.

– Antônio, você está de parabéns! Em um dia só acabou com todos os processos que estavam na sua mesa!
– Obrigado, chefe! Eu sou novo aqui e estou querendo mostrar o meu valor…
– Eu entendo, Antônio, mas veja… As coisas aqui seguem um determinado ritmo. Não adianta a gente acelerar todos os processos aqui para eles ficarem em espera no próximo departamento para o qual irão, entende?
– Mas se precisar, eu posso ajudar lá no outro departamento também!
– Sim, claro, mas eles já tem um estagiário lá. Eu não posso permitir isso. Vamos fazer o seguinte, então… Não mais do que 10 processos por dia, ok?
– Mas já há uns 20 em cima de minha mesa só de hoje…
– Sim, mas vá com calma. De 10 em 10 todos os dias, ok?

Antônio saiu frustrado da sala de seu chefe. Em menos de uma hora e meia deu conta dos tais de processos e ficou sem ter o que fazer. Perguntou se algum dos seus colegas de trabalho precisavam de ajuda, mas nenhum deles aceitou a oferta.

E assim foi na quarta e na quinta-feira também. Até que na sexta-feira, ao chegar a sua mesa de trabalho e abrir sua gaveta, percebeu que havia um envelope com 500 Reais. Ele achou estranho, porque o RH havia pedido a sua conta corrente (que ele nem tinha antes de estagiar), e por isso foi falar com o chefe.

– Bom dia, chefe! Encontrei este envelope com 500 Reais na minha gaveta. O senhor sabe de quem é esse dinheiro?
– É seu, Antônio! É seu.
– Não é! Eu tenho certeza.
– Antônio, deixa eu ser um pouco mais direto: para trabalhar aqui, este dinheiro precisa ser seu, entende? É a regra. Vale para todo mundo. Agora, vá fazer o seu trabalho.

Antônio saiu da sala do chefe cabisbaixo. Entendeu bem o recado: para trabalhar ali, ele precisava participar do esquema.

Pegou o envelope, o colocou de volta na sua gaveta, pegou suas coisas e foi embora. Ao passar pela portaria, deixou o seu crachá de visitante. Olhou para o prédio e pensou:

“Eu realmente era só um visitante.”

Chegando em casa, recebeu um abraço apertado do seu pai e da sua mãe. Muito humildes, choraram ao perceber que seus valores tinham seguido adiante na figura de seu filho. Seu pai disse:

“Estamos muito orgulhosos de você. Temos certeza que Deus também.”

Na semana seguinte, conseguiu um outro estágio. Hoje, é casado e tem dois filhos, e junto com sua esposa, passa adiante o que recebeu de berço, diretamente de seus pais.

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Seis meses

Seis meses de educação,

Cordialidade,

Reciprocidade,

Fidelidade,

Tranquilidade,

Carinho,

Amor,

Paz,

Beijos e abraços,

Compreensão,

Coragem,

Valor.

Há seis meses que colocam a vida no prumo.

Há seis meses que valem uma vida inteira.

E há o cada dia destes seis meses,

Que sequer parecem dias passados,

De tão bons que se mostraram,

De tão bons que são presentes.

Há seis meses eu não era,

Mas há seis meses eu verdadeiramente sou.