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Teu abraço

Há um lugar onde o mundo perde a pressa.

Não é uma cidade. Não é uma casa. Não é um sonho.

É teu abraço.

Quando me recolhes entre os teus braços, o tempo parece esquecer seu ofício. As horas deixam de correr e tudo o que existe é o calor da tua pele junto à minha, o perfume que reconheço de olhos fechados e a certeza silenciosa de que nada me falta.

Poucas pessoas sabem o que é amar alguém a ponto de encontrar paz apenas na sua proximidade.

Eu sei.

Porque existe uma felicidade que mora no som da tua voz, outra no brilho dos teus olhos, mas a mais bonita de todas mora no instante em que me abraças.

Nesse momento, não existe passado. Não existe futuro.

Existe simplesmente o milagre de estar contigo.

Teu abraço tem a delicadeza das coisas que curam sem prometer cura. Ele não apaga as cicatrizes da vida, mas faz com que eu me esqueça delas por alguns instantes. E, enquanto repouso junto a ti, sinto que todos os caminhos que percorri me trouxeram exatamente para ti.

Porque é isso que encontro em teu abraço.

Não apenas carinho.

Não apenas desejo.

Mas a rara e bela combinação dos dois.

A ternura que acalma e a paixão que incendeia.

A paz de quem chegou em casa e a vertigem de quem continua apaixonado.

Em teus braços, não preciso escolher entre abrigo e fogo.

Encontro ambos.

Pertencimento.

E talvez amar seja exatamente isso: passar a vida inteira procurando um lugar onde a alma possa descansar e, um dia, descobrir que esse lugar tem o nome da pessoa amada.

O teu nome.

E o teu abraço.

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Entre

Portas abertas,

o vento traz teu perfume,

tarde vazia.

No limiar da espera,

meu coração se inclina.

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Resposta


Perguntas se ocupas em mim
o espaço que preencho em ti.

Não sei medir afetos.

Mas sei que tua lembrança
atravessa meus dias sem pedir licença.

Sei que uma mensagem tua
é capaz de iluminar uma tarde inteira.

Sei que tua voz permanece
mesmo depois do silêncio.

Sei que teu perfume insiste
mesmo quando já não estás.

E sei que, entre os encontros
que a vida me ofereceu,
há poucos que habitam meus pensamentos
com tamanha delicadeza
e riqueza de detalhes.

E também sei que, entre as pessoas
que o tempo me trouxe,
há poucas cuja felicidade
importa tanto quanto a tua

Estás aqui.

Agora.

Nestes versos.

No mesmo convite,
que refiz e refaço,
em palavras e gestos,
todos os dias:

Tu és a resposta não só para a tua própria pergunta,
mas para todas que eu tinha antes de ti.

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O teu cheiro

O teu cheiro era bem mais que teu perfume, que ficava entranhado nas minhas roupas e em todo o meu corpo.

O teu cheiro perfumava o meu quarto, a minha roupa de cama, as minhas toalhas, o meu colchão.

O teu cheiro ficou no meu carro e vai passear e trabalhar comigo.

O teu cheiro era a certeza de que eu tinha encontrado a minha fêmea.

O teu cheiro era como nenhum outro.

E teu cheiro passou a ser o meu cheiro.

E hoje, ainda que distantes, eu te exalo pelos meus poros.

O teu cheiro foi o amor que ficou em mim.

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Teu olhar

Este que fazes sem forçar
Que é tímido e discreto
Obsceno e direto
Misterioso e incerto
Uma miríade de convites
Todos eles a me torturar

Cabelos que cobrem
O que precisa ser descoberto
Lábios que explodem
Que fascinam por completo
Presença que avassala
Água cristalina no deserto

E nesse meu sonho que tu és
Que vem, que vai
Devoro teus mistérios
Na certeza de que muitos são
Pois na tua pele eu encontro
Todos os meus desejos mais ébrios

O que pretendes?
Onde estás?
Para onde vais?

Talvez assim eu te encontre
Quer seja por mero acaso
Ou por seguir teu cheiro

Desejo-te

E meu desejo é mais que verdadeiro
Posto que tu és um universo inteiro

um-olhar-pode-dizer-o-que-milhoes-de-palavras

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Paradoxal

Ficou o perfume

A cama por fazer

Um vinho avinagrado

A vida por acontecer

…

E o amanhecer

Antes terno e doce

Agora um coice

Amargo feito fel

…

Quem sabe um dia

Por pura ironia

A vida nos mostre

Como a vida deveria ser

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A verdade cura

A verdade é um remédio difícil de engolir, mas é um remédio necessário.

Parecia-me óbvio que a verdade seria capaz de alterar o meu futuro, mas acabei me dando conta de que a verdade também é capaz de alterar o meu passado. Minhas lembranças e minhas recordações mudaram na medida em que a verdade me visitou. Detalhe: ela veio de mala e cuia.

Revi cenas. Revivi momentos. E fui do amor ao ódio, e depois do ódio ao nada. Absolutamente nada. Nada. Nenhum receio ou porém.

Mas ainda assim, tudo que vivi permanece bom e útil de alguma forma. Aquele perfume continua sendo bom. O tesão, a paixão e a putaria também. Idem para os assuntos, os papos, as ideias, os planos, as comidas, as bebidas, as músicas e os dias. Viver o presente sem nada por entender, resolver ou esquecer é uma desintoxicante profilaxia.

A vida é boa. Vida que segue e está tudo bem. Que eu encontre por aí muitas outras doses desse remédio. Já não temo mais nada. Absolutamente nada. Nada. Nenhum receio ou porém.

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Ainda procuro

Ainda procuro aquele brilho

Que emana de seus olhos

Desde o dia em que eu te conheci

 

Ainda procuro aquele perfume

Aquele sorriso provocante

Eternidades

Nossas vidas por alguns instantes

 

Ainda procuro o nosso gosto

Procuro o nosso cheiro

Procuro seus braços

Pelo ânimo para levantar

Pela fragilidade para dormir

 

Ainda procuro aquela sensação

Aquela total falta de limite

Frio na barriga

Excesso e falta de apetite

Aquela vontade de estar para sempre ali

 

Ainda procuro lembranças

Doces, suaves

Esperança!

De estar e ser sempre por perto

Peito aberto

Todo mundo em nossas mãos

 

Ainda procuro…

Dia e noite, eu juro

Ainda procuro

Ainda te amo.

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Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

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Árvore da vida

Fui ali

Colher os frutos de nossas promessas

Do que prometemos sem prometer

 

Vi a árvore majestosa que plantamos

Mais viva do que nunca

Flores, frutos a nascer

 

E que perfume!

Inebriante, pujante

Dilacerante processo de renascer

 

Frio na barriga

Causa para lá de resolvida

Embora se insista no sobrestamento do viver

 

Sim, a árvore da vida

Cura todas as feridas da lida

É o Norte para onde tudo há de correr

 

E seus frutos

Impávidos, atemporais e resolutos

São a razão e o motivo da própria existência do ser.

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