Avatar de Desconhecido

Chuva de Setembro

Cai fina a chuva
sobre o vidro sem pressa –
o mundo emudece.
Alguma dor antiga
se dissolve na poça.

Avatar de Desconhecido

Meu nome

Digo meu nome
para atender o telefone.
Estranho pensar
que a palavra mais antiga
é também empréstimo.

Avatar de Desconhecido

Sem destino

Folha no asfalto.
O vento escolhe por ela
a próxima esquina.
Nem toda viagem precisa
saber para onde vai.

Avatar de Desconhecido

Sem plateia

Ônibus vazio.
A manhã atravessa a rua
sem anunciar-se.
Nenhum olhar acompanha
a chegada silenciosa.

Avatar de Desconhecido

Sem testemunhas

Lua no telhado.
Um morcego cruza a noite
sem fazer som.
A cidade nem percebe
que alguém esteve aqui.

Avatar de Desconhecido

Céu

Poça de chuva:
um pardal bebe o céu
que nela caiu.
Passa a bicicleta e
o céu se desfaz em ondas.

Avatar de Desconhecido

No silêncio do gole

Vinho na taça,
o rubro acende a noite,
cheiro que abraça.
No silêncio do gole
a alma enfim se deslaça.

Avatar de Desconhecido

Brilho que arde

Força que me invade,

luz que rompe o escuro,

pulso desperto.

No choque dos nossos mundos,

meu brilho arde mais forte.

Avatar de Desconhecido

Nada

No fim da tarde, nada

o vento levou meu nome,

permaneceu nada.

No silêncio da memória,

restou em mim apenas nada.

Avatar de Desconhecido

Entre a pele e a memória

I. A promessa

Nos teus lábios há
promessas que o silêncio
jamais desmentiu.
E eu sigo descobrindo
novos caminhos em ti.


II. O segredo

Teu nome repousa
na curva dos meus desejos
como um segredo.
Quanto mais tento esquecê-lo,
mais se aproxima de mim.


III. A espera

A noite demora.
Mas tua ausência desperta
o que adormece.
Há amores que insistem
em florescer no escuro.


IV. A falta

Não é só desejo.
É reconhecer teu corpo
na própria falta.
Como quem toca uma música
mesmo sem ouvir o som.


V. A permanência

Era só um olhar.
Mas trouxe de volta a chama
que eu conhecia.
Há desejos que não morrem,
apenas aprendem a esperar.