Marés na minha boca.
A Lua à minha frente.
E eu, inútil,
contra a natureza.
Guia-me.
Leva-me.
És a força.
A gravidade da Lua
sobre as marés.
Tudo o que move.
Tudo o que transborda.
E a estranha certeza
de que nada mais falta.

Marés na minha boca.
A Lua à minha frente.
E eu, inútil,
contra a natureza.
Guia-me.
Leva-me.
És a força.
A gravidade da Lua
sobre as marés.
Tudo o que move.
Tudo o que transborda.
E a estranha certeza
de que nada mais falta.

Satélite meu,
O teu corpo se faz céu,
Sorvo tuas marés.

No dia que você se foi,
O Sol se pôs para não mais nascer.
Desapareceram as estrelas,
Os planetas,
A Lua,
As marés,
A esperança,
A fé.
Cessou o vento
E todo e qualquer movimento.
Tudo torto,
Tudo roto,
Por fora e por dentro,
Mundo morto.
A noite mais escura
Foi também a última noite.
Depois dela,
Nunca mais vivi
Um dia.

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.
E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.
Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.
Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.

Acreditar em Deus parece impossível para algumas pessoas, porque elas partem da lógica humana para tentar desvendar e entender o que é divino, e que justamente por isso pelo próprio homem não pode ser compreendido ou definido.


Azul…
Única…
Orbita-me:
Sou teu.

Você não pode nos derrubar
Porque eu estou aqui
Com a lua e as estrelas
Eu me elevei
Fui elevado por tudo que sinto
De onde olho
Não há mentiras
Não há truques
É tudo real e vivo
Eu vivo isso tudo…
Eu sinto
De vez em quando
Caem lágrimas
Mas é a chuva…
Você não a sente ou vê?
Sou só eu te amando
E os trovões
São só palavrões
Dores que se doem
Finjo que não sei
Daqui é tudo perfeito, lindo
Eu já desisti
De nos entender
De onde estou tudo é real
Tudo tão fiel, tão sem igual
Somos só eu e você.

A Lua acende a noite
E eu em busca de respostas
Para perguntas que eu nunca fiz
Sinto saudades de algo novo
Diferente de tudo que já vivi
E que não se acabe na melancolia
De uma sofrida taça de vinho
Sinto-me vivo
Muito, muito vivo
E vazio, inteiramente vazio
Lembrando-me do que eu nunca fui
Mas também sei
Que é justamente nesses momentos taciturnos
Enquanto bebo água do fundo do poço
É que vou reinventar o meu existir
E nem é tão ruim assim…
A dor é amiga e companheira
É fim e também o início
De tudo que ainda está por vir
A Lua acende a noite
E a Lua está linda…
Como antes eu nunca a vi.

Faça lua ou faça sol
Faça inverno ou verão
Por azar ou por sorte
Na luz ou na escuridão
Ela está lá…
Do amor, litisconsorte
Ouças-me bem, saudade:
Uma hora dessas
Estrangulo-te até a morte!

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