Marés na minha boca.
A Lua à minha frente.
E eu, inútil,
contra a natureza.
Guia-me.
Leva-me.
És a força.
A gravidade da Lua
sobre as marés.
Tudo o que move.
Tudo o que transborda.
E a estranha certeza
de que nada mais falta.

Marés na minha boca.
A Lua à minha frente.
E eu, inútil,
contra a natureza.
Guia-me.
Leva-me.
És a força.
A gravidade da Lua
sobre as marés.
Tudo o que move.
Tudo o que transborda.
E a estranha certeza
de que nada mais falta.

Satélite meu,
O teu corpo se faz céu,
Sorvo tuas marés.

No dia que você se foi,
O Sol se pôs para não mais nascer.
Desapareceram as estrelas,
Os planetas,
A Lua,
As marés,
A esperança,
A fé.
Cessou o vento
E todo e qualquer movimento.
Tudo torto,
Tudo roto,
Por fora e por dentro,
Mundo morto.
A noite mais escura
Foi também a última noite.
Depois dela,
Nunca mais vivi
Um dia.

Beber vinho a teu lado
É beber-te
Gota por gota,
Lentamente,
Sabendo que há olhos d’água,
Rios e afluentes –
Até oceanos e mares –
Surgindo a minha frente.
E em tempo,
Meu barco levar-te-á
Até os limites –
E além deles –
Paulatinamente.

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