Porque nem toda luz vem do alto.
Há momentos em que ela surge adiante,
discreta,
à beira da água.
E então compreendemos que nem todas as chegadas dependem das estrelas.
Às vezes, basta a luz de um porto para convencer um barco a permanecer mais um pouco.
A não ir.
A ficar.
Certas luzes carregam em si uma promessa silenciosa
e são quase um chamado:
a de que não é preciso seguir adiante apenas por seguir.
A de que existe um lugar onde se pode ficar.
E onde ficar também é uma forma de destino.
Por isso, se o céu não me escolheu,
talvez não fosse dele essa decisão.
Talvez seja suficiente ser porto.
Talvez baste manter uma luz acesa.
Para que uma chegada não precise ser prometida pelas estrelas.


