Bem sabes
Que meus versos são teus
Assim como sabes
Que teus desejos são meus.
As palavras –
E nem só as palavras –
Jorram aos borbotões.
Poemas eu escrevo
Quando tu me afogas
Em teus desejos:
És-me pura fascinação.

Bem sabes
Que meus versos são teus
Assim como sabes
Que teus desejos são meus.
As palavras –
E nem só as palavras –
Jorram aos borbotões.
Poemas eu escrevo
Quando tu me afogas
Em teus desejos:
És-me pura fascinação.

O vento
Que lambe tua face
Sussurra em teus ouvidos
Palavras malditas
Que tu querias engolir.
.
Tua garganta seca
Tua mão molha
E em sentido anti-horário
Avançam do alto de Vênus
Os dedilhados do teu tormento.
.
Agita a tua batuta
Orquestra o teu ritmo –
Crescendo, crescendo! –
Enquanto teu rubor prepara
Um apoteótico encerramento.
.
Palavras malditas
Repetidas, sentidas
Não é o vento culpado
São teus ouvidos apurados
Revivendo mil momentos.

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.

O amor não é a foto no Instagram
É o que faz a foto precisar existir
Não é a mensagem do WhatsApp
Mas a vontade de enviar a mensagem
Não é o coração do Facebook
Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela
O amor é sempre causa
Nunca consequência
Nunca vi um amor sobreviver só de palavras
De declarações
Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes
Monumentais
O amor se retroalimenta de coisas pequenas
Da intimidade, da cumplicidade
Da atenção aos mínimos detalhes
Da generosidade e da sinceridade
Da desavença e do entendimento
Do perdão, da compreensão
O amor é pai de tudo que é bom
De tudo que na vida faz genuína diferença
E eu, como aprendiz de poeta
Digo que o amor não está nas minhas poesias
Mas no que não mostro
Aceito e sinto
Pois para mim, o amor é invisível
Mas eu sei –
E como sei! –
Que ele de fato existe
O amor é minha única verdade
E em busca da verdade eu sigo.

Não consigo dizer tudo em palavras
E por vezes me perco na urgência de ser compreendido.
Mas entenda, meu amor:
As minhas palavras podem eventualmente me trair,
Mas minhas atitudes jamais te trairão.
Portanto, na dúvida, meu amor,
Repare bem nas minhas atitudes e ações
E também nas minhas reações
Diante das imprevisibilidades da vida.

Quero beijar a tua boca que não fala,
Mas que tudo revela.
Que revela belezas esquecidas
Nos vãos da vida,
Nos trilhos da eterna viagem.
De onde vejo a paisagem
Pintada por sorrisos,
Borrada por lágrimas,
Mas ainda assim paisagem:
Quadros e retratos que sinto
Com os olhos da minha alma
Completamente escancarada.
Há beleza em tudo,
E hoje sei que as maiores belezas,
Das infinitas belezas do mundo,
Delicadamente me calam.
E quando estou mudo
É que mais ainda eu falo,
Pois ouço-me abissalmente,
Nas palavras que eu calo.

Houve um tempo
Em que as pessoas diziam
Exatamente o que iriam fazer.
Não havia opção.
Nas mentes e nos corações,
Uma mistura de honra, coragem e integridade,
Que eram então os alicerces do caráter.
Hoje, não mais.
Tudo é líquido,
Tudo muda da noite para o dia
E a única certeza é a mudança.
Palavras não valem mais de nada
E as atitudes são aleatórias.
A sociopatia coletiva não consegue distinguir
Lobos de ovelhas e nem ovelhas de lobos.
As narrativas se formam tendo como base
Os interesses e não mais a verdade.
Não há mais certo ou errado.
Há apenas o conveniente,
O raso, o rasteiro e o sem nexo.
Vivo neste mundo,
Mas não sou deste mudo,
E nunca irei me acostumar com isso.
Eu faço parte da resistência.
