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Depois dos escombros

Aprendemos tarde

que o tempo não cura.

O tempo apenas passa.

Quem cura é o que fazemos com os dias que ele nos entrega.

Por muito tempo olhamos para trás.

Contamos ausências.

Medimos perdas.

Pesamos palavras como quem procura o instante exato em que tudo se partiu.

Mas a sabedoria, descobri, não mora nos tribunais da memória.

Mora na delicadeza de aceitar que ninguém atravessa uma tempestade sem perder alguma coisa.

E que sobreviver também deixa marcas.

Hoje, já não desejo que o passado desapareça.

(as cicatrizes se tornariam órfãs)

Prefiro que ele permaneça como permanecem as árvores antigas:

não pela força dos ventos que suportaram,

mas pelas raízes que aprenderam a aprofundar.

Talvez seja isso que chamamos de reconciliação.

Não o esquecimento.

Nem a pressa.

Mas o raro instante em que duas histórias deixam de disputar razão

e começam a compartilhar compreensão.

O amor, afinal,

talvez não seja aquilo que resiste ao tempo.

Talvez seja aquilo

que aprende com ele.

E que o caminho adiante,

não nos peça corridas.

Algumas sementes

não precisam de pressa.

Precisam apenas de estação.

E que a vida nos peça apenas sabedoria para reconhecer

a beleza improvável

de ainda estarmos aqui,

depois de tudo,

sem negar o que fomos,

e sem temer o que ainda podemos ser.

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Entre o que foi dito

Não fomos feitos apenas das coisas que acertamos.

Há marcas em minhas mãos que vieram das tuas ausências, e talvez haja em ti cicatrizes deixadas pelas minhas.

Durante muito tempo contamos as perdas como quem recolhe cacos de uma casa depois da tempestade, sem perceber que também éramos parte dos escombros.

Eu te perdoo pelos caminhos em que te perdeste.

E peço perdão pelos caminhos em que me perdi.

Não porque a dor não tenha existido, nem porque o passado possa ser refeito.

Mas porque descobri que carregar culpa demais é outra forma de continuar preso ao que já passou.

Talvez amar, às vezes, seja deixar de procurar culpados.

E apenas reconhecer que houve duas pessoas tentando sobreviver com os recursos que tinham.

Que o reenconro venha sem tribunais.

E que que permaneça a delicadeza de saber

que fomos imperfeitos, sim,

mas nunca indiferentes.

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Thankful – Beth Hart

Esta música da Beth Hart diz tudo que eu quero e preciso dizer. Eu sou muito grato por tudo que me aconteceu e pelo que me tornei. Muito, muito mesmo.

I see blue birds of paradise
I see sunset to sunrise
I watch comets in the sky
I see magic flying by
I feel my father holding me
I feel my spirit learn to breathe
I look into my mother’s eyes
I know this must be paradise

And I say, oh my, oh my
This is paradise
I say, oh my, oh my

Thank you for the sunshine
Thank you for the light
Thank you for the moonshine
Thank you for the night
Thank you for the big climb
Thank you for the fall
Thank you for my life
Thank you for it all

I run through fields of majesty
I run in and out of reality
I run back to my enemy
I run deep down inside of me
I hear whispering in the trees
I hear their towering melodies
They share their ancient memories
They sing we’re all family

And I sing, oh my, oh my
This is paradise
I sing, oh my, oh my

Thank you for the sunshine
Thank you for the light
Thank you for the moonshine
Thank you for the night
Thank you for the big climb
Thank you for the fall
Thank you for my life
Thank you for it all

It’s a beautiful life in the little things
So I stand in the light and I see everything
My, my, oh, my

Thank you for the sunshine
Thank you for the light
Thank you for the moonshine
Thank you for the night
Thank you for the big climb
Thank you for the fall
Thank you for my life

Thank you for the laughter
Thank you for the chance
Thank you for the madness
Thank you for the dance
Thank you for forgiveness
And not softening the fall
Thank you for my love
Thank you for it all
Thank you for my life
I’m thankful for it all
All, all
Thankful for it all

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Receba esta rosa em sua casa

Ganhei esta rosa de minha mãe no dia de ontem, 13 de Maio, por conta da celebraçao do dia da Nossa Senhora de Fátima, da qual sou fervoroso devoto. Eternizei em uma fotografia o amor de minha mãe, e isso me fez pensar em estender este amor a todos que eu puder.

Via de regra, o Instagram* é um lugar de fotos bonitas, onde as pessoas postam momentos alegres. Entretanto, eu sei que muitos estão passando por problemas seríssimos, que tentamos disfarçar com sorrisos plásticos.

Esta flor não é de plástico, assim como nós também não somos. E hoje eu quero que a imagem desta rosa chegue até a sua casa como um sinal de bom presságio, trazendo paz, saúde e prosperidade para a sua vida e para a vida de sua família.

Que Nossa Senhora de Fátima interceda junto a seu filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, para que chegue até você a cura desejada, os recursos financeiros necessários, e a paz que todos nós almejamos. E que, acima de tudo, esta rosa abra as portas do seu coração para o diálogo edificante e conciliador com aqueles que por alguma razão estão afastados da sua vida, na certeza de que em nome de Deus nada é impossível.

Aproveite este momento. Perdoe. Peça perdão. Abrace. Seja abraçado. A vida é breve e vamos levar dela apenas o amor que plantarmos nos corações uns dos outros.

Dedico esta postagem a Divaldo Franco, que faleceu no dia de ontem, pelo seu trabalho incansável na ajuda ao próximo.

* postagem feita originalmente no Instagram.

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Vim trazer verdades 62

Tenha para consigo o mesmo carinho e a mesma gentileza que destina aos outros.


Permita-se. Entenda-se. Perdoe-se quantas vezes forem necessárias.


Fique feliz por ser quem você é.


Entre erros e acertos, somos todos humanos,e só não erra neste mundo quem não ousa de fato viver.

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O perdão de Jesus é assustador – ou admirável? – Professor Frederico Lourenço

No capítulo 9 do Evangelho de Mateus (v. 8 ), há um problema textual fascinante.

Depois de Jesus ter curado o paralítico com a afirmação de que Lhe é lícito «perdoar os erros» da humanidade, como reagiram as pessoas à sua volta?

Sentiram medo (em grego, ephóbēsan – ἐφοβήθησαν), como se lê nos manuscritos mais antigos do Novo Testamento?

Ou sentiram admiração (ethaumasan – ἐθαύμασαν), como se lê na maioria dos manuscritos de Mateus?

É assustador que Jesus perdoe os nossos erros? Ou é admirável?

Na tradição convencional do cristianismo ortodoxo, o facto de Jesus perdoar os nossos erros não é assustador; é admirável. Por isso lemos, na tradução de João Ferreira de Almeida, que as pessoas «se maravilharam» perante a capacidade de Jesus perdoar os erros.

No entanto, na minha tradução lê-se que as pessoas «tiveram medo». Pois é isso que está no Codex Sinaiticus, no Codex Vaticanus, e no Codex Bezae – os mais antigos manuscritos que nos transmitem o Novo Testamento praticamente completo. Na Vulgata, note-se, lemos correctamente «timuerunt».

Qual será o medo de haver Alguém que, em vez de contabilizar os nossos erros como prova de acusação contra nós, simplesmente os manda embora (pois é isso que significa literalmente a expressão que costumamos traduzir por «perdoar»: em grego, o infinitivo ἀφιέναι e, em latim, o gerúndio: «filius hominis habet potestatem in terra DIMITTENDI peccata»).

Se confiarmos em Jesus, os nossos erros serão simplesmente mandados embora. Que medo pelo facto de, afinal, não termos de sentir medo!

Mas que bela razão, ao mesmo tempo, para glorificarmos a Deus, «que dá uma tal autoridade aos seres humanos» (Mateus 9:8: em latim, «qui dedit potestatem talem hominibus»).

Na imagem: o episódio visto por Murillo.

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Detox da alma

A maioria das pessoas pensam que o perdão é algo que beneficia o agressor ou o algoz. E talvez beneficie mesmo, mas…

Como seria a sua vida sem perdoar o outro? Como ficaria o seu coração carregando uma espécie de mix de ódio e vingança? O quão pesada seria a sua vida se tivesse que carregar tudo isto para sempre?

Quando você perdoa, independentemente da sua religião, o que você está dizendo para o outro é o seguinte:

“Sabe aquela coisa suja que você quis deixar em minha vida? Sabe aquela necessidade que você tinha de me deixar para baixo? Lembra das fofocas e das mentiras? Eu não sou nada disso! Tudo isso não é meu e faço questão de devolver. Você está perdoado! Se não quiser ficar com estas coisas, jogue-as fora. Comigo é que não vão ficar.”

Perdoar é o detox da alma e contraria muitas vezes os interesses de quem fez você ficar mal. Vai que a pessoa sente prazer em ver você triste? Sim, isto existe!

Pense nisso. Não deixar o seu ofensor ou adversário dominar a sua vida ainda que à distância. E mais… Como você pode esperar que flores surjam dentro do seu coração quando ele ainda está repleto de lixo que sequer é seu?

Bônus: o perdão, ainda que não seja esta a sua intenção, pode ser encarado pelo outro como um golpe fatal de vingança. Afinal de contas, o perdão também é uma forma de dizer adeus.

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Feliz Natal – 2022

Que neste Natal, nossos corações estejam bem abertos para sentirmos o que de fatos sentimos, de maneira que sejamos capazes de nos encontrar (de novo) com nós mesmos.

Que transbordemos nossos medos, nossas dúvidas, nossas tristezas, nossas verdades, nossas saudades, nossas felicidades e tudo mais que estiver preso em nossos peitos. E acima de tudo, que transbordemos muito amor e perdão, na certeza de que a busca incansável pela nossa integridade e reconciliação com Deus, nosso pai, é a nossa única possível salvação.

A quem eu machuquei, peço meu mais humilde e reverencial perdão. E se fui machucado, confesso que já não me lembro, pois o Cristo é o dono do meu coração.

“– Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” – Antoine de Saint-Exupéry, no livro O Pequeno Príncipe

Um Feliz Natal para todos! Que Deus nos abençoe grandemente e que ilumine nossos caminhos hoje, agora e sempre. Amém!

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Você merece!

Se perdoe, vai…

Se perdoe e vá.

Pois a vida é curta

E o tempo é breve.

Mas as memórias e os sentimentos,

O calor e a cor dos momentos,

As nuances dos tempos,

São perpétuos

E transcendem jazigos perpétuos.

Se perdoe, vai…

Você merece.

Simplesmente vá.

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P.S. 32

Com o tempo, você descobre que perdoar a si mesmo pelo que permitiu que os outros fizessem com você é muito mais difícil e complexo do que perdoar os outros.