Avatar de Desconhecido

Entre o que foi dito

Não fomos feitos apenas das coisas que acertamos.

Há marcas em minhas mãos que vieram das tuas ausências, e talvez haja em ti cicatrizes deixadas pelas minhas.

Durante muito tempo contamos as perdas como quem recolhe cacos de uma casa depois da tempestade, sem perceber que também éramos parte dos escombros.

Eu te perdoo pelos caminhos em que te perdeste.

E peço perdão pelos caminhos em que me perdi.

Não porque a dor não tenha existido, nem porque o passado possa ser refeito.

Mas porque descobri que carregar culpa demais é outra forma de continuar preso ao que já passou.

Talvez amar, às vezes, seja deixar de procurar culpados.

E apenas reconhecer que houve duas pessoas tentando sobreviver com os recursos que tinham.

Que o reenconro venha sem tribunais.

E que que permaneça a delicadeza de saber

que fomos imperfeitos, sim,

mas nunca indiferentes.

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Quebrado

Há feridas que não aparecem,
e que parecem não precisar de cuidado imediato.

Aprendem cedo
a se esconder na pele —
aparentemente intacta.

E, por fora, tudo parece calmo.

É como se a vida tivesse sido leve
em alguns corpos.

Mas eu sei…

Ninguém atravessa o tempo
sem ser marcado.

Há dores que não deixam rastro,
porque nunca puderam sangrar —
mesmo quando era necessário.

Há quem aprenda cedo
a sorrir onde arde,
onde mais arde.

E a chamar de paz
o que na verdade é ausência de voz.

Não invejo mais as superfícies.

Desconfio delas.

E, às vezes,
é no que parece inteiro
que a fratura é mais funda.

Porque nem tudo que não dói
está, de fato, inteiro.

Me reconheço mais nos quebrados —
há neles uma honestidade
que não se esconde,
que marca.

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Vim trazer verdades 14

Da mesma forma que há pessoas que nos machucam, há pessoas que nos curam. E essas pessoas que nos curam não precisam fazer nada de especial. Basta que fiquem por perto.