Não fomos feitos apenas das coisas que acertamos.
Há marcas em minhas mãos que vieram das tuas ausências, e talvez haja em ti cicatrizes deixadas pelas minhas.
Durante muito tempo contamos as perdas como quem recolhe cacos de uma casa depois da tempestade, sem perceber que também éramos parte dos escombros.
Eu te perdoo pelos caminhos em que te perdeste.
E peço perdão pelos caminhos em que me perdi.
Não porque a dor não tenha existido, nem porque o passado possa ser refeito.
Mas porque descobri que carregar culpa demais é outra forma de continuar preso ao que já passou.
Talvez amar, às vezes, seja deixar de procurar culpados.
E apenas reconhecer que houve duas pessoas tentando sobreviver com os recursos que tinham.
Que o reenconro venha sem tribunais.
E que que permaneça a delicadeza de saber
que fomos imperfeitos, sim,
mas nunca indiferentes.

