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Resposta


Perguntas se ocupas em mim
o espaço que preencho em ti.

Não sei medir afetos.

Mas sei que tua lembrança
atravessa meus dias sem pedir licença.

Sei que uma mensagem tua
é capaz de iluminar uma tarde inteira.

Sei que tua voz permanece
mesmo depois do silêncio.

Sei que teu perfume insiste
mesmo quando já não estás.

E sei que, entre os encontros
que a vida me ofereceu,
há poucos que habitam meus pensamentos
com tamanha delicadeza
e riqueza de detalhes.

E também sei que, entre as pessoas
que o tempo me trouxe,
há poucas cuja felicidade
importa tanto quanto a tua

Estás aqui.

Agora.

Nestes versos.

No mesmo convite,
que refiz e refaço,
em palavras e gestos,
todos os dias:

Tu és a resposta não só para a tua própria pergunta,
mas para todas que eu tinha antes de ti.

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Domingo, fim de tarde

Domingo amanhece com teu cheiro, 
um perfume leve de sol na pele, 
como se o dia inteiro 
fosse feito para te encontrar.

Tem gosto de beijo lento, 
daqueles que não têm pressa, 
que sabem exatamente 
onde morar na boca do outro.

Tem abraço que encaixa, 
que fecha o mundo lá fora 
e abre um lugar secreto 
onde só cabem dois.

Tem lugares que viram nossos, 
mesmo que sejam simples: 
a varanda, a rua vazia, 
a sombra de uma árvore qualquer. 
Tudo ganha brilho 
quando tua lembrança passa por ali.

E tem o tempo — 
esse velho teimoso — 
que no domingo parece aprender 
a caminhar no ritmo do amor, 
sem urgência, sem medo, 
só com vontade de ficar.

Porque algumas lembranças 
não doem, não pesam, não partem. 
Apenas aquecem. 
E as tuas, meu bem, 
aquecem como sol de fim de tarde.

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Ainda assim

Alguns dias são muito difíceis.

A dor não vem leve.
Ela pesa.
O corpo sente antes mesmo do pensamento conseguir se organizar.
O peito aperta.
O ar falha.
Há momentos em que tudo parece próximo de parar.

E surge a pergunta:
“O que eu fiz para merecer isso? Aonde foi que eu errei?”

Há momentos em que eu gostaria de ser o culpado —
inteiramente responsável —
apenas para ter o que mudar,
para ter por onde começar.

Mas nem sempre existe causa clara.

A dor não bate à porta.
Ela entra.
E ocupa.

Não há para onde ir.
Não há como evitar.
Não há argumento que alivie,
nem distração que alcance.

Resta apenas atravessar.

Atravessar com o que ainda resta de mim,
Com respeito e dignidade,
sem negar o que foi vivido,
sem diminuir o que senti.

Porque algumas dores não são pequenas.
Não são passageiras.
São daquelas que atravessam por inteiro —
corpo, memória, silêncio —
e por alguns instantes,
parecem não ter fim.

E ainda assim… a dor cede.

Não porque deixamos de sentir,
mas porque algo em nós aprende a suportar.

E quando ela cede,
já não somos mais os mesmos.

Talvez mais firmes.
Talvez mais conscientes.

Sobretudo, ainda de pé.
Ainda assim.

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Amar é aceitar perder

Há uma ilusão confortável que nos protege, mas também nos impede de viver: a ideia de que podemos amar sem nos expor de verdade.

Como se fosse possível sentir profundamente sem pagar o preço disso.

Não é.

O amor não entra em quem está inteiro demais, protegido demais, intacto demais.

Ele atravessa falhas. Ele exige fissuras. Ele pede risco.

E o risco é sempre o mesmo: perder.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

Perder o outro. Perder a si mesmo. Perder o lugar. Perder aquilo que, por um instante, pareceu definitivo.

Amar é, inevitavelmente, aceitar essa possibilidade. É entrar sabendo que não há garantia.

É dizer “fica” sem poder impedir que alguém vá.

É oferecer o que há de mais verdadeiro sem saber se isso será cuidado ou deixado de lado.

E por isso há quem se paralise…

Não por falta de amor, mas por medo de sentir demais e depois ficar com o vazio.

Porque amar expõe. Amar vulnerabiliza. Amar retira as defesas que sustentam a ilusão de controle.

E, sem controle, surge o medo.

O medo de abandono. O medo de não ser escolhido. O medo de não ser suficiente.

Mas há uma verdade que, cedo ou tarde, se impõe: tudo que se protege demais deixa de acontecer.

Quem não se arrisca, não encontra.

Quem não se abre, não toca.

E o amor, quando fica só na intenção, não passa de uma ideia bonita.

Ali, nada vive.

Eu aceito isso hoje com mais clareza: posso ser deixado, posso não ser escolhido, posso sentir falta.

Mas também sei que, sem atravessar esse risco, nada acontece de verdade.

Viver sem que algo verdadeiro aconteça é, no fundo, uma forma silenciosa de ausência.

Prefiro o risco.

Prefiro o encontro que pode terminar ao vazio de nunca ter começado.

Porque, no fim, amar não é garantir permanência.

É ter coragem suficiente para não impedir que algo real exista, mesmo sabendo que pode não durar.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

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10 anos de blog

Não vou dizer nada. Não tenho discursos bonitos ou coisas enlatadas para dizer. Só quero que saibam que nenhuma palavra, nenhum verso ou estrofe chegaram até este blog por acaso. São parte de mim. Sempre serão.

Obrigado por me lerem.  Sou essa “coisa” que escreve por aqui. Sou um apaixonado pela vida, um apaixonado por viver. Um aprendiz, um aspirante, um ridículo… E me orgulho muito disso. ❤️

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Medos insepultos

O tempo me ensinou

Que para certas coisas

O tempo não passou

E que ainda carrego comigo

Coisas da minha infância.

.

Ainda busco a aprovação –

E muitas vezes o perdão –

Quando me comporto como adulto.

.

Mas há em mim perdão:

Perdoo a mim mesmo.

.

Sou a minha própria consolação

Quem diz o sim ou diz o não

Para os meus medos insepultos.

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Zetasnes

Destoam tuas palavras dos teus atos,

Tuas mórbidas cores escorrem e mancham o teu discurso,

Tua verve é unicamente a tua insanidade,

O prêmio que te busca é a inalcançável amargura.

.

E ainda ousas clamar por piedade,

Para a insensatez das tuas evidentes cisuras,

Mas és náufrago somente na tua loucura,

Que regurgitas em sanhas verborrágicas.

.

Não há perdão e menos ainda piedade,

Para tua absolutamente surreal conduta,

Na prática, carregas a insígnia da mediocridade,

E flertas com o mal com extrema desenvoltura.

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Abraço

Nada escapa do meu abraço,

Que acolhe antes e pergunta depois.

Porque eu aprendi na vida

Que o abraço precisa ser casa,

Precisa ser lar, feijão com arroz.

Nada escapa do meu abraço,

Porque eu já precisei ser abraçado

E não fui.

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Crescer

Por pura vaidade, não reconhece a perda.

Luta batalhas que não fazem mais sentido.

Chama a atenção para as suas causas irrelevantes –

Todas elas –

Irrelevantes para o mundo; o mundo que não é só dele.

Distorce, trama, difama, manipula,

Pois não tem a coragem de se olhar no espelho.

E ali, bem no meio da poça de sangue

Que se formou dos cortes que fez a si mesmo,

Prosta-se feito criança que espera a saída do escola.

Quer rever seu pai, sua mãe.

Quer que eles lhe digam que vai ficar tudo bem.

Quer se rever criança e poder ser criança.

Mas isso não é mais possível: a criança precisa morrer.

O bebê que ainda é precisa desfraldar.

Precisa sepultar partes suas em definitivo para ser.

Precisa viver o luto que é crescer.

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Inocência

A culpa é dele, digo eu, juiz absoluto da verdade.

Não há possível falha minha, e se há, não posso suportá-la.

Aceitar a falha seria aceitar que não sou tudo que imagino ser, e um vazio absoluto tomaria conta de mim.

E assim sendo, precisaria me reconhecer para de fato me conhecer, para aceitar que sou protagonista da minha própria história, da minha própria vida.

Mas prefiro continuar encenando a peça onde o erro mora do lado de fora, onde eu sou injustiçado, sempre injustiçado, sempre vítima. Onde o diabo são os outros.

A minha fraqueza não se esconde de olhos mais atentos, e este é o meu maior medo: ser descoberto e me ver obrigado a confessar para mim mesmo que não sou inocente.