Domingo amanhece com teu cheiro, um perfume leve de sol na pele, como se o dia inteiro fosse feito para te encontrar.
Tem gosto de beijo lento, daqueles que não têm pressa, que sabem exatamente onde morar na boca do outro.
Tem abraço que encaixa, que fecha o mundo lá fora e abre um lugar secreto onde só cabem dois.
Tem lugares que viram nossos, mesmo que sejam simples: a varanda, a rua vazia, a sombra de uma árvore qualquer. Tudo ganha brilho quando tua lembrança passa por ali.
E tem o tempo — esse velho teimoso — que no domingo parece aprender a caminhar no ritmo do amor, sem urgência, sem medo, só com vontade de ficar.
Porque algumas lembranças não doem, não pesam, não partem. Apenas aquecem. E as tuas, meu bem, aquecem como sol de fim de tarde.
A dor não vem leve. Ela pesa. O corpo sente antes mesmo do pensamento conseguir se organizar. O peito aperta. O ar falha. Há momentos em que tudo parece próximo de parar.
E surge a pergunta: “O que eu fiz para merecer isso? Aonde foi que eu errei?”
Há momentos em que eu gostaria de ser o culpado — inteiramente responsável — apenas para ter o que mudar, para ter por onde começar.
Mas nem sempre existe causa clara.
A dor não bate à porta. Ela entra. E ocupa.
Não há para onde ir. Não há como evitar. Não há argumento que alivie, nem distração que alcance.
Resta apenas atravessar.
Atravessar com o que ainda resta de mim, Com respeito e dignidade, sem negar o que foi vivido, sem diminuir o que senti.
Porque algumas dores não são pequenas. Não são passageiras. São daquelas que atravessam por inteiro — corpo, memória, silêncio — e por alguns instantes, parecem não ter fim.
E ainda assim… a dor cede.
Não porque deixamos de sentir, mas porque algo em nós aprende a suportar.
Não vou dizer nada. Não tenho discursos bonitos ou coisas enlatadas para dizer. Só quero que saibam que nenhuma palavra, nenhum verso ou estrofe chegaram até este blog por acaso. São parte de mim. Sempre serão.
Obrigado por me lerem. Sou essa “coisa” que escreve por aqui. Sou um apaixonado pela vida, um apaixonado por viver. Um aprendiz, um aspirante, um ridículo… E me orgulho muito disso. ❤️
A culpa é dele, digo eu, juiz absoluto da verdade.
Não há possível falha minha, e se há, não posso suportá-la.
Aceitar a falha seria aceitar que não sou tudo que imagino ser, e um vazio absoluto tomaria conta de mim.
E assim sendo, precisaria me reconhecer para de fato me conhecer, para aceitar que sou protagonista da minha própria história, da minha própria vida.
Mas prefiro continuar encenando a peça onde o erro mora do lado de fora, onde eu sou injustiçado, sempre injustiçado, sempre vítima. Onde o diabo são os outros.
A minha fraqueza não se esconde de olhos mais atentos, e este é o meu maior medo: ser descoberto e me ver obrigado a confessar para mim mesmo que não sou inocente.
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