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Feijão

Antes, eu só sabia comer –
o feijão chegava pronto,
como se sempre tivesse existido,
paciência de alguém que eu não via.

Hoje refogo o alho até a casa cheirar,
espero o caldo engrossar sozinho,
aprendo que fogo baixo é quase tudo,
que tempo não se apressa, se respeita.

Não é fórmula, é feijão:
o grão que estoura devagar,
o sal que entra na hora certa,
o cheiro que anuncia antes do gosto.

E talvez seja isso –
aprender a cozer o simples,
descobrir que cuidar de uma panela
também é uma forma de cuidar de casa.

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Abraço

Nada escapa do meu abraço,

Que acolhe antes e pergunta depois.

Porque eu aprendi na vida

Que o abraço precisa ser casa,

Precisa ser lar, feijão com arroz.

Nada escapa do meu abraço,

Porque eu já precisei ser abraçado

E não fui.