Antes, eu só sabia comer –
o feijão chegava pronto,
como se sempre tivesse existido,
paciência de alguém que eu não via.
Hoje refogo o alho até a casa cheirar,
espero o caldo engrossar sozinho,
aprendo que fogo baixo é quase tudo,
que tempo não se apressa, se respeita.
Não é fórmula, é feijão:
o grão que estoura devagar,
o sal que entra na hora certa,
o cheiro que anuncia antes do gosto.
E talvez seja isso –
aprender a cozer o simples,
descobrir que cuidar de uma panela
também é uma forma de cuidar de casa.
