A dor não vem leve. Ela pesa. O corpo sente antes mesmo do pensamento conseguir se organizar. O peito aperta. O ar falha. Há momentos em que tudo parece próximo de parar.
E surge a pergunta: “O que eu fiz para merecer isso? Aonde foi que eu errei?”
Há momentos em que eu gostaria de ser o culpado — inteiramente responsável — apenas para ter o que mudar, para ter por onde começar.
Mas nem sempre existe causa clara.
A dor não bate à porta. Ela entra. E ocupa.
Não há para onde ir. Não há como evitar. Não há argumento que alivie, nem distração que alcance.
Resta apenas atravessar.
Atravessar com o que ainda resta de mim, Com respeito e dignidade, sem negar o que foi vivido, sem diminuir o que senti.
Porque algumas dores não são pequenas. Não são passageiras. São daquelas que atravessam por inteiro — corpo, memória, silêncio — e por alguns instantes, parecem não ter fim.
E ainda assim… a dor cede.
Não porque deixamos de sentir, mas porque algo em nós aprende a suportar.
Há coisas dolorosas que precisam ser feitas, e que nem por isso deixam de ser dolorosas. Pelo contrário. Talvez se tornem mais dolorosas por conta disso.
Mas a vida é sobre isso. É sobre fazer com lágrimas nos olhos, com o coração sangrando, ainda que ninguém entenda ou mesmo aprove os motivos.
E talvez seja nestes momentos, quando ninguém entende a sua dor, quando as suas mãos trêmulas são vistas como fraqueza, é que a vida esteja te oferecendo uma oportunidade única de crescimento.
Aceite-a. Só dói muito em quem sente muito. Só transborda em lágrimas quem tem sentimentos de sobra. Só sangra quem é feito de carne e osso. Então, que doa o que tiver que doer.
Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.
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