Avatar de Desconhecido

Eu não soube desfazer teus medos

Trouxe abrigo, mas havia tempestades que moravam antes de mim.

Acendi luzes, mas algumas sombras conheciam a casa melhor do que eu.

Aprendi que certos abismos não se abrem entre duas pessoas.

Já estavam lá.

Existem.

São.

E há feridas que não cedem apenas porque foram amadas, acolhidas, lambidas.

Ainda assim, sigo acreditando na força dos braços que tentam acolhê-las.

Em braços leais que acreditam, ainda que também precisem de cura.

Braços que se estendem não por obrigação, mas por afeto.

Que permanecem não por dever, mas por amor.

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Quebrado

Há feridas que não aparecem,
e que parecem não precisar de cuidado imediato.

Aprendem cedo
a se esconder na pele —
aparentemente intacta.

E, por fora, tudo parece calmo.

É como se a vida tivesse sido leve
em alguns corpos.

Mas eu sei…

Ninguém atravessa o tempo
sem ser marcado.

Há dores que não deixam rastro,
porque nunca puderam sangrar —
mesmo quando era necessário.

Há quem aprenda cedo
a sorrir onde arde,
onde mais arde.

E a chamar de paz
o que na verdade é ausência de voz.

Não invejo mais as superfícies.

Desconfio delas.

E, às vezes,
é no que parece inteiro
que a fratura é mais funda.

Porque nem tudo que não dói
está, de fato, inteiro.

Me reconheço mais nos quebrados —
há neles uma honestidade
que não se esconde,
que marca.

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Ainda assim

Alguns dias são muito difíceis.

A dor não vem leve.
Ela pesa.
O corpo sente antes mesmo do pensamento conseguir se organizar.
O peito aperta.
O ar falha.
Há momentos em que tudo parece próximo de parar.

E surge a pergunta:
“O que eu fiz para merecer isso? Aonde foi que eu errei?”

Há momentos em que eu gostaria de ser o culpado —
inteiramente responsável —
apenas para ter o que mudar,
para ter por onde começar.

Mas nem sempre existe causa clara.

A dor não bate à porta.
Ela entra.
E ocupa.

Não há para onde ir.
Não há como evitar.
Não há argumento que alivie,
nem distração que alcance.

Resta apenas atravessar.

Atravessar com o que ainda resta de mim,
Com respeito e dignidade,
sem negar o que foi vivido,
sem diminuir o que senti.

Porque algumas dores não são pequenas.
Não são passageiras.
São daquelas que atravessam por inteiro —
corpo, memória, silêncio —
e por alguns instantes,
parecem não ter fim.

E ainda assim… a dor cede.

Não porque deixamos de sentir,
mas porque algo em nós aprende a suportar.

E quando ela cede,
já não somos mais os mesmos.

Talvez mais firmes.
Talvez mais conscientes.

Sobretudo, ainda de pé.
Ainda assim.

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A noite mais escura

No dia que você se foi,

O Sol se pôs para não mais nascer.

Desapareceram as estrelas,

Os planetas,

A Lua,

As marés,

A esperança,

A fé.

Cessou o vento

E todo e qualquer movimento.

Tudo torto,

Tudo roto,

Por fora e por dentro,

Mundo morto.

A noite mais escura

Foi também a última noite.

Depois dela,

Nunca mais vivi

Um dia.

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Crescendo…

Há coisas dolorosas que precisam ser feitas, e que nem por isso deixam de ser dolorosas. Pelo contrário. Talvez se tornem mais dolorosas por conta disso.

Mas a vida é sobre isso. É sobre fazer com lágrimas nos olhos, com o coração sangrando, ainda que ninguém entenda ou mesmo aprove os motivos.

E talvez seja nestes momentos, quando ninguém entende a sua dor, quando as suas mãos trêmulas são vistas como fraqueza, é que a vida esteja te oferecendo uma oportunidade única de crescimento.

Aceite-a. Só dói muito em quem sente muito. Só transborda em lágrimas quem tem sentimentos de sobra. Só sangra quem é feito de carne e osso. Então, que doa o que tiver que doer.

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Universal

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.

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Abusado e insolente

Teu segredo

Se revelou de forma veemente

Quando gritou o teu coração

E tentou ignora-lo a tua mente

 

Não seria de mais valor

Ou talvez mais prudente

Deixares de fingir que é dor

O amor que deveras sente?

 

Ah! O amor…

Essa coisa insistente

Que não pede por favor

E que torna o completo carente!

 

Ah! O amor…

Do qual tu foges bravamente

Mesmo sabendo que não há vida

Quando parte de ti está ausente

 

Ah! O amor…

Não, não estás doente

Já que és tão racional

Que reconheças: estás impotente!

 

Ah! O amor…

Que te rendas a este insistente

Que subjuga-te a seus caprichos

Não se trata de mero acidente

 

E que fique claro que sua existência

Não depende do teu aceite

O amor é o amor

Abusado e insolente.

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Deus em mim

Queria tuas mãos nos meus cabelos, porque tuas mãos me curam.

Assim também queria as tuas mãos nas minhas costas, porque me seguram.

A vida não é fácil. Não tem sido fácil. E como homem me sinto na obrigação de dizer que está tudo bem.

Mas sabe, amor, nem sempre é assim. Há dias ensolarados, mas também há dias de dor sem fim.

Quando vejo um bem-te-vi, a sensação que tenho é que Deus está me vendo, e sorrio para as possibilidades Dele estar olhando para mim.

Mas sabe, amor, quando te vejo, nos nossos abraços, cafunés e beijos, é aí que mais sinto Deus em mim. Teus toques e bem-te-vis.

Obrigado pelo que nem sabes que fazes. És, como os bem-te-vis, Deus em mim.

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Sobre nós

É sobre ter paciência
Entender que precisa madurar
Antes de colher

É sobre o amor
Amargo feito fel
Que vira brigadeiro de colher

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Escolhas

Se algum dia o prazer da minha ausência falar mais baixo do que a dor da minha presença, lembre-se disso: a escolha foi toda tua.