Avatar de Desconhecido

O inventário do silêncio

Os dias de espera
Me prepararam
Para os dias
De nunca mais.

Dias que o tempo levou
E que o vento não mais traz.

Há um silêncio novo na casa,
Que a longa espera ensinou,
O tempo, que antes era brasa,
Cinza mansa se tornou.

Não é o fim da estrada que vejo,
Mas o fim de um modo de andar.
Guardo no peito o meu amor e desejo,
Para em silêncio observar.

São os dias de nunca mais ser o mesmo,
Para que a verdade possa, enfim, chegar.

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Cada poro

Não creias no meu não falar de amor.

Sufocado pela saudade,

Em silêncio,

Cada poro meu por ti grita.

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Madrugada

Nada madrugada,

Tudo cabe,

Tudo arde,

Tudo pulsa,

Certeza vira dúvida,

Dúvida vira silêncio.

.

Na madrugada,

Não há paz,

Não há lenitivo,

E tudo que é vivo

Ao vivo jaz,

Se faz de morto.

.

Na madrugada,

A febre piora –

A vida piora –

E o sangue jorra

Por sobre as memórias:

Beco sem saída.

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Sussurrando…

Foi no silêncio que tudo aconteceu.

Longe das câmeras e dos flashes.

Ninguém viu, ninguém comentou,

E ficou.

Falou mais alto

O sussurro do amor.

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Sol de Outono

Que revela belezas esquecidas

Nos vãos da vida,

Nos trilhos da eterna viagem.

De onde vejo a paisagem

Pintada por sorrisos,

Borrada por lágrimas,

Mas ainda assim paisagem:

Quadros e retratos que sinto

Com os olhos da minha alma

Completamente escancarada.

Há beleza em tudo,

E hoje sei que as maiores belezas,

Das infinitas belezas do mundo,

Delicadamente me calam.

E quando estou mudo

É que mais ainda eu falo,

Pois ouço-me abissalmente,

Nas palavras que eu calo.

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Silêncios

No silêncio não há verdades ou mentiras.

É tudo subjetivo, opinativo,

E talvez por isso deveras mais dorido.

No silêncio tudo cabe.

Tudo é e não é

Em um piscar de olhos,

Nas memórias que carecem

De algum tipo de sentido ou explicação.

O silêncio cansa,

O silêncio machuca,

O silêncio ensurdece,

Ainda que não seja este o seu objetivo.

Pior do que isso é que sei

Que as respostas que procuro

Estão nestes silêncios

E dentro destes silêncios

Estou eu.

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Nada

Na ausência de palavras articuladas,
No silêncio sepulcral que não é meu,
Mas que me invade e me domina,
Arde-me e consome-me,
Tudo cabe,
Tudo é,
Tudo existe.

Não tenho medo de silêncios,
Mas tenho pavor a tudo que eles dizem,
Porque nunca sei se o que eles dizem
É o que de fato estão a me dizer.

Silêncios não me matam,
Mas silêncios me torturam.

E eu permaneço em silêncio,
No opróbrio do nada ignorar,
E do nada, do absolutamente nada, –
Posto que o silêncio é o nada –
Nada saber.

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Vim trazer verdades 36

Na dúvida, escolha o silêncio.

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Tente ficar em silêncio

Eu sobreviverei a todo e qualquer silêncio que você me imponha

Porque por dentro de você eu sei que sou puro barulho.

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Reiniciando

Não fale com o coração

Para quem mal de tá ouvidos

Para quem não escuta

Para quem não tenta ou se ocupa

Em tentar entender

Em tentar sentir

Aquilo que vai muito além das palavras brutas

 

Até porque

Mesmo sem querer

Um dia o vocabulário do coração se acaba

E mudo

Ele se acostuma

E perde aquela necessidade:

Já não tem mais nada a dizer

 

E depois disso tudo

Ele se escuta

E recomeça

Lentamente

A bater.

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