Avatar de Desconhecido

Entre a pele e a memória

I. A promessa

Nos teus lábios há
promessas que o silêncio
jamais desmentiu.
E eu sigo descobrindo
novos caminhos em ti.


II. O segredo

Teu nome repousa
na curva dos meus desejos
como um segredo.
Quanto mais tento esquecê-lo,
mais se aproxima de mim.


III. A espera

A noite demora.
Mas tua ausência desperta
o que adormece.
Há amores que insistem
em florescer no escuro.


IV. A falta

Não é só desejo.
É reconhecer teu corpo
na própria falta.
Como quem toca uma música
mesmo sem ouvir o som.


V. A permanência

Era só um olhar.
Mas trouxe de volta a chama
que eu conhecia.
Há desejos que não morrem,
apenas aprendem a esperar.


Avatar de Desconhecido

Até

Eu te prometo:

.

.

.

.

.

.

.

Tudo isso.

Até o dia que eu morrer.

Avatar de Desconhecido

Desvio

Dia sem promessa:

no meio do silêncio,

algo respirou.

Avatar de Desconhecido

De pé

Há quem passe pela estrada
como vento que não aprende o caminho.

Eu não.

Sou quem finca os pés no chão,
quem conhece o peso das próprias escolhas,
quem abre portas sabendo
que terá de habitá-las.

Não ofereço presença leve:
ofereço permanência.

Carrego na palavra
o mesmo gesto com que construo.

Se prometo abrigo,
levanto paredes.
Se digo “fica”,
preparo espaço.

Nem tudo que toquei ficou,
mas nada do que toquei
foi sem verdade.

E o que em mim permanece
não é o que passou:

É o homem que ficou de pé
quando era mais fácil
ir embora.