Eu te prometo:
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Tudo isso.
Até o dia que eu morrer.

Eu te prometo:
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Tudo isso.
Até o dia que eu morrer.

O desejo incontrolável de torcer pelo sucesso do outro, independentemente da distância e das saudades.
O desapego, o fim da vaidade, o aplauso do ego.
Ser lembrança e guardar na lembrança com carinho todos os detalhes, todos os momentos, todos os cheiros, todos os gostos, todos os tudos que não cabem em nenhum vocabulário.
Abandonar a raiva, abraçar a despedida como amiga, chorar cada lágrima dorida com dignidade, tal como tributo ao próprio amor.
Agradecer a Deus pelos momentos, pelas oportunidades, pelo crescimento.
Amar é, acima de tudo, aceitar o infortúnio como dádiva.
E eu te amo. E te amarei por toda a eternidade.
Meu amor de ti independe e esta é a essência do próprio amor que veio em mim morar.

Que nossos encontros não sejam obras do acaso, mas prioridades inadiáveis.
Que nossas problemas não sejam barreiras intransponíveis, mas degraus na escada que estreita nossos laços.
Que nossos corpos não apenas se deitem, mas que se fundam em um só.
E que cada adeus seja apenas um até logo, ainda que no leito de morte.
Ao amor, a vida. A todo o resto, a sorte.

Eu vi a birra da criança
Eu vi a alegria dos bate-bate
Eu vi os escorregadores e os balanços
Eu vi os cachorros rolando na grama
Eu vi o senhor e seus passarinhos
Eu vi as flores e as cutias
Eu vi o casal se beijando ardentemente
Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho
Eu vi o coreto e a igreja matriz
Eu vi o moço que vendia balas e balões
Eu vi o lago e os peixinhos.
E ali, bem ali
Bem no meio daquele campo
Eu revivi a minha infância
Cheio de saudades de quem deste mundo
Já se foi sem mim.

Dizem que os passarinhos,
Em suas gaiolas frias e apertadas,
Cantam porque estão tristes.
Eu já penso que não.
Eles cantam, cantam e cantam,
Porque ninguém consegue
Aprisionar ou calar neles a esperança
De que haverá melhores dias.

Se perdoe, vai…
Se perdoe e vá.
Pois a vida é curta
E o tempo é breve.
Mas as memórias e os sentimentos,
O calor e a cor dos momentos,
As nuances dos tempos,
São perpétuos
E transcendem jazigos perpétuos.
Se perdoe, vai…
Você merece.
Simplesmente vá.

Após o fim de um relacionamento, ficam as coisas ruins e tristes que impedem a reconciliação, e também as coisas boas que de alguma forma parecem impossíveis de serem vividas novamente.
As coisas ruins e tristes são processadas e esquecidas com o tempo. Já as coisas boas… Com o tempo, são guardadas na lista de boas memórias, com muito carinho, para que a vida siga em frente.

Eram umas 4 horas da manhã. Eu tinha acabado de deixar a Alice na casa dos parentes. A nossa noite tinha sido para lá de especial. Eu estava feliz e ela também. O ano era 1995.
Eu estava voltando do Rio para Niterói dirigindo. Sempre gostei de dirigir na Ponte durante a noite. Não lembro qual rádio eu estava ouvindo, mas me lembro bem da música: “See you on the other side”, do Ozzy Osbourne. Até achei estranho ouvir a tal música na rádio, mas achei que era um presente de Deus ou algo assim. Apenas a senti e continuei a admirar a paisagem. Eu dirigia devagar. Eu queria que aquilo tudo que eu estava sentindo durasse para sempre.
A Alice morava em Goiânia/GO. Vinha para o Rio de 15 em 15 dias com os pais. Eles não sabiam que a gente se encontrava. Ela dizia que saía com as amigas, mas lá estava eu religiosamente buscando-a. Carro emprestado por um amigo. Eu mal tinha dinheiro para a gasolina, mas dava meu jeito digitando textos, programando… Eu fazia um pouco de tudo para poder comer uma pizza com a Alice, tomar um sorvete e coisas do tipo. Acima de tudo, eu gostava muito da companhia dela e achava o seu sotaque delicioso, envolvente, diferente.
Eu não tinha celular e nem ela. Ela tinha o número da minha casa e eu tinha o número da casa dela. Apesar disso, eu nunca tinha ligado para a sua casa. Afinal de contas, os pais não sabiam e era algo que eu respeitava. Era sempre a Alice que me ligava (e tenho certeza que os pais dela deveriam se tocar das fortunas gastas com o DDD).
Quando chegava de volta em Goiânia, a Alice me ligava. Algumas vezes era só para dizer que tinha chegado bem. Coisa de minutos. E naquela segunda-feira, ela não me ligou. Somos “criaturas de hábitos” e aquilo me deixou de orelhas em pé. Preferi ignorar. Me ligaria mais tarde. Certeza.
A segunda-feira foi embora sem nenhum telefonema. Tive dificuldades para dormir e ao mesmo tempo a certeza de que ela me ligaria no dia seguinte. E ela não ligou. Cheguei até a testar o meu telefone para ver se estava funcionando e de fato estava. Pensei em ligar para a casa dela e me lembrei de seus pais. Lembrei do nosso beijo de despedida e tive a certeza de que não havia nada de errado entre nós. Havia de fato algo de errado, só que eu não sabia o que era.
Não dormi de terça para quarta-feira. Antes do meio dia da quarta, resolvi ligar para a casa dela. Pensei nos pais e resolvi ligar mesmo assim. Sei lá… Eu diria que era um amigo ou algo do tipo.
– Bom dia! Eu poderia falar com a Alice, por favor?
Uma voz masculina me respondeu.
– É o Fábio quem está falando?
Eu estremeci. Não sabia o que dizer ao certo.
– Sim, sou eu. É o pai dela quem está falando?
Silêncio do outro lado da linha. Ouvi um suspiro profundo.
– Sim, Fábio. Sou eu… Ela me falou de vocês durante o voo de volta para Goiânia.
– Olha… O senhor me desculpe… Eu queria contar, mas ela achou melhor deixar para depois…
Novo silêncio, até que a voz embargada de um homem me respondeu.
– Ela faleceu, Fábio. Morreu em um acidente de carro terrível enquanto ia para a faculdade.
Eu explodi em lágrimas. Não era possível! Será que eu tinha ligado para o número errado? Será que estávamos falando da mesma Alice?
– Eu ia te ligar para dar a notícia, mas imagino que saiba o quanto está sendo difícil para nós lidar com isso tudo…
Eu não conseguia dizer nada. Só chorava… E ele complementou.
– Ela tinha dito que queria se mudar para o Rio… Que queria continuar os estudos aí… Ela me disse que estava apaixonada… E era por você, Fábio. E eu não te conheço, rapaz… Mas saiba que ela se foi assim, com você no coração…
Não lembro do que falamos depois disso. Nada. Nem uma palavra. Sei que desliguei o telefone e fui para a rua. Enchi a cara. Nem sei como cheguei em casa. Só sabia que a Alice tinha ido embora.
E então me lembrei da música e a música se tornou uma prece. E a Alice sabe, onde quer que ela esteja, que mais de 25 anos depois não há uma única vez em que eu ouça essa música sem lembrar dela, sem lembrar de nós, e novamente explodir em lágrimas.
Não sei se daria certo. Éramos muito jovens, mas também era fato que estávamos apaixonados. E foi com a Alice que eu aprendi que tudo que importa é o hoje, porque o amanhã de fato pode não existir.
Dedico essa música a ela e peço a quem me lê: ame como se fosse o último dia, porque de fato pode ser.
I will see you on the other side, Alice.
E ela que veio naturalmente
E casualmente se despiu
Ficou nua, nuíssima de alma
Coisa bonita assim nunca se viu
Mas ela insiste em andar vestida
E isso só sabe quem nela já viu
A pujança de seu coração petulante
Que desde sempre me sorriu
E entre as fugas das lembranças
E na presença do que não partiu
Foge de si mesma feito criança
Feito flor que ainda não se abriu
Mas a verdade insiste em mostrar-se
Nos detalhes em que na vida não fingiu
Que rondam sua mente tortuosamente
Na saudade do que ainda nem existiu
E nesses versos sinceros e ritmados
Feitos da sina do qual nunca fugiu
Ri para si mesmo o perspicaz poeta
De quem se foi e nunca partiu.

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