Avatar de Desconhecido

Comigo

Caminho por ruas que se dividem em silêncio

Cada uma acenando com promessas que não decifro

Às vezes penso que escolhi

Mas o vento muda e me confunde de novo

Há uma porta que brilha, outra que guarda sombra

E ambas parecem chamar meu nome

Fico parado no meio, aturdido

Como quem teme perder o que não viveu

Como quem teme viver o que não poderia ser perdido

O horizonte se dobra em dois

E eu sigo tentando ouvir qual parte dele respira comigo.

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Até

Eu te prometo:

.

.

.

.

.

.

.

Tudo isso.

Até o dia que eu morrer.

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O Sol

O sol rompe o limite da manhã,
dissolve o frio que tenta ficar;
desperta o mundo sem nenhum amanhã,
e acende o que insiste em apagar.

Seu brilho não mede o que vai atingir,
nem pesa o espaço que irá tocar;
simplesmente existe, sem decidir,
e ocupa tudo ao se espalhar.

E mesmo ao ceder ao gesto de partir,
deixa no céu o que não quis cessar;
é nele que a noite insiste em surgir,
um traço de luz que persiste no ar.

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Sem memória do escuro

O sol não pergunta:
apenas retorna.

Mesmo depois
de noites mais densas,
ele atravessa o horizonte
sem memória do escuro.

Há algo nisso.

Não promessa,
não certeza:
apenas o fim
daquilo que se repetia
e ainda se encerra.

A luz toca
onde ainda não havia forma
e, sem aviso,
desenha caminhos improváveis.

Não é milagre.

É possibilidade.

E basta.

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Enquanto éramos só nós

Às vezes o vento entra pela casa

sem pedir explicação:

toca o vidro,

move a cortina,

e passa pela mesa

como se já soubesse o caminho.

.

O vinho ainda gelado,

a luz pousada no chão,

os passos que se entrelaçam,

e dançam no pulsar do coração.

.

Ali, tudo acontece sem nome,

sem definição –

e é por isso que acontece.

.

Mas, quando esse mesmo vento

encontra as janelas fechadas,

e as cortinas impedem

a entrada da luz,

a casa muda.

.

Os passos perdem o ritmo,

o ar pesa,

e o que antes fluía

começa a endurecer.

Porque, no encontro,

não cabia explicação alguma –

e nem precisava haver.

.

Era só isso:

duas almas

respirando

o mesmo ar,

sem precisar de nada

que os corpos não possam dizer.

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Renascer

Luz no silêncio,

ergue montanhas de afeto –

o peito renasce.

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No peito

Força no peito,

Sonhos rasgam o medo —

Amanhece luz.

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Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

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Seis meses

Seis meses de educação,

Cordialidade,

Reciprocidade,

Fidelidade,

Tranquilidade,

Carinho,

Amor,

Paz,

Beijos e abraços,

Compreensão,

Coragem,

Valor.

Há seis meses que colocam a vida no prumo.

Há seis meses que valem uma vida inteira.

E há o cada dia destes seis meses,

Que sequer parecem dias passados,

De tão bons que se mostraram,

De tão bons que são presentes.

Há seis meses eu não era,

Mas há seis meses eu verdadeiramente sou.

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Luz e sombra

Até que ponto o teu padrão de consumo e a tua maneira de viver são realmente teus? Até que ponto tua roupa, teu carro, tuas palavras, teu olhar, tuas felicidades e tuas dores pertencem a ti? Até que ponto te reconheces quando olhas de cara limpa para um espelho?

És o que és ou és o que esperam que tu sejas? És ou estás? Quem és tu, afinal?

Pergunto porque também já não soube quem eu era, e foi um esforço tremendo achar-me em mim.

Já fui minha sombra revirada e retorcida por viver o que eu não era. Nenhuma penumbra. Nenhum atenuante. Puro breu.

Não houvesse espelhos, eu até hoje não saberia de mim. Não houvesse espelhos, até hoje eu acreditaria que eu era só ausência de luz. Sombra e nada mais.

Hoje, sou sol, mas só me tornei sol quando não me reconheci na minha sombra, e isso era algo que ninguém poderia fazer por mim.