Às vezes o vento entra pela casa
sem pedir explicação:
toca o vidro,
move a cortina,
e passa pela mesa
como se já soubesse o caminho.
.
O vinho ainda gelado,
a luz pousada no chão,
os passos que se entrelaçam,
e dançam no pulsar do coração.
.
Ali, tudo acontece sem nome,
sem definição –
e é por isso que acontece.
.
Mas, quando esse mesmo vento
encontra as janelas fechadas,
e as cortinas impedem
a entrada da luz,
a casa muda.
.
Os passos perdem o ritmo,
o ar pesa,
e o que antes fluía
começa a endurecer.
Porque, no encontro,
não cabia explicação alguma –
e nem precisava haver.
.
Era só isso:
duas almas
respirando
o mesmo ar,
sem precisar de nada
que os corpos não possam dizer.
