Avatar de Desconhecido

O Sol

O sol rompe o limite da manhã,
dissolve o frio que tenta ficar;
desperta o mundo sem nenhum amanhã,
e acende o que insiste em apagar.

Seu brilho não mede o que vai atingir,
nem pesa o espaço que irá tocar;
simplesmente existe, sem decidir,
e ocupa tudo ao se espalhar.

E mesmo ao ceder ao gesto de partir,
deixa no céu o que não quis cessar;
é nele que a noite insiste em surgir,
um traço de luz que persiste no ar.

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Sem memória do escuro

O sol não pergunta:
apenas retorna.

Mesmo depois
de noites mais densas,
ele atravessa o horizonte
sem memória do escuro.

Há algo nisso.

Não promessa,
não certeza:
apenas o fim
daquilo que se repetia
e ainda se encerra.

A luz toca
onde ainda não havia forma
e, sem aviso,
desenha caminhos improváveis.

Não é milagre.

É possibilidade.

E basta.

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Enquanto éramos só nós

Às vezes o vento entra pela casa

sem pedir explicação:

toca o vidro,

move a cortina,

e passa pela mesa

como se já soubesse o caminho.

.

O vinho ainda gelado,

a luz pousada no chão,

os passos que se entrelaçam,

e dançam no pulsar do coração.

.

Ali, tudo acontece sem nome,

sem definição –

e é por isso que acontece.

.

Mas, quando esse mesmo vento

encontra as janelas fechadas,

e as cortinas impedem

a entrada da luz,

a casa muda.

.

Os passos perdem o ritmo,

o ar pesa,

e o que antes fluía

começa a endurecer.

Porque, no encontro,

não cabia explicação alguma –

e nem precisava haver.

.

Era só isso:

duas almas

respirando

o mesmo ar,

sem precisar de nada

que os corpos não possam dizer.

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Renascer

Luz no silêncio,

ergue montanhas de afeto –

o peito renasce.

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No peito

Força no peito,

Sonhos rasgam o medo —

Amanhece luz.

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Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

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Seis meses

Seis meses de educação,

Cordialidade,

Reciprocidade,

Fidelidade,

Tranquilidade,

Carinho,

Amor,

Paz,

Beijos e abraços,

Compreensão,

Coragem,

Valor.

Há seis meses que colocam a vida no prumo.

Há seis meses que valem uma vida inteira.

E há o cada dia destes seis meses,

Que sequer parecem dias passados,

De tão bons que se mostraram,

De tão bons que são presentes.

Há seis meses eu não era,

Mas há seis meses eu verdadeiramente sou.

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Luz e sombra

Até que ponto o teu padrão de consumo e a tua maneira de viver são realmente teus? Até que ponto tua roupa, teu carro, tuas palavras, teu olhar, tuas felicidades e tuas dores pertencem a ti? Até que ponto te reconheces quando olhas de cara limpa para um espelho?

És o que és ou és o que esperam que tu sejas? És ou estás? Quem és tu, afinal?

Pergunto porque também já não soube quem eu era, e foi um esforço tremendo achar-me em mim.

Já fui minha sombra revirada e retorcida por viver o que eu não era. Nenhuma penumbra. Nenhum atenuante. Puro breu.

Não houvesse espelhos, eu até hoje não saberia de mim. Não houvesse espelhos, até hoje eu acreditaria que eu era só ausência de luz. Sombra e nada mais.

Hoje, sou sol, mas só me tornei sol quando não me reconheci na minha sombra, e isso era algo que ninguém poderia fazer por mim.

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Luz que nos guia

Talvez a luz não esteja no fim do túnel.
Talvez o túnel seja a prória luz
Nos guiando pelos caminhos emaranhados da vida.

26 Ele disse-lhes: “Homens de pouca fé, porque estavam com medo?” E levantando-se repreendeu o vento e o mar e fez-se uma grande calma. – Mateus 8:26

Aprecie a paisagem no túnel (ela existe – acredite!) sem medo e sem moderação. Confie no processo. 🙂 🙂 🙂

Country Clube – Nova Friburgo/RJ
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Felicidade é uma escolha

Imagine-se em um salão cheio de portas. Algumas abertas e outras fechadas. As fechadas você tenta abrir e não consegue. Estão trancadas. As abertas, cada uma delas leva a um lugar ou a uma situação diferente da sua vida. Levam a seu passado.

Sem saber o que fazer, você olha na parede do salão e percebe que há algumas instruções em um quadro:

“As portas abertas são o seu passado. Não a totalidade do seu passado, mas assuntos que ficaram pendentes na sua vida, muito embora você tenha feito todo o esforço possível para resolvê-los.

As portas fechadas são o seu futuro e novas realidades que o universo está disposto a lhe oferecer.

Observação: é preciso fechar as portas do passado para que as portas do futuro se abram. Não há uma relação direta entre a quantidade de portas fechadas no passado com as que se abrirão no futuro.”

Você se senta no meio do salão, sem saber o que fazer. Revisita as portas abertas. Há uma mistura de apego com saudade em algumas portas. Em outras, pura frustração.

Decide, então, começar por estas. Lembra-se de situações frustrantes, da sua responsabilidade sobre elas e das variáveis que não podia controlar. Tira destas situações lições, e vai fechando as suas respectivas portas, uma a uma. Você nota, inclusive, que uma porta aberta, depois de fechada, não pode ser mais aberta.

Ainda sem entender muito bem o que está acontecendo, você tenta abrir as portas do futuro. Nenhuma delas se abriu. Desconfiado, você volta até o quadro com as instruções e as relê, percebendo que está seguindo a risca o processo.

As portas que misturam apego e saudade são mais difíceis de serem fechadas. Por mais que você as olhe, sente-se impotente e pensa:

“Nossa… Há tantas coisas boas ali naquelas portas… Não sei se consigo fecha-las. Nesta aqui, por exemplo. Amei tanto… Fui tão feliz… Mas ao mesmo tempo, nada de bom acontece nesta porta há muito tempo. O que me faz mante-la aberta é a pena de que não tenha dado tudo certo como eu planejei e o medo de que nada parecido volte a acontecer comigo.”

E assim você se sente diante de todos as portas do passado que permanecem abertas. Tenta abrir as portas do futuro, até para ver se alguma das portas poderia substituir alguma do passado, mas as portas continuam trancadas.

Você volta ao quadro para reler novamente as instruções, mas percebe que elas mudaram. No quadro está apenas uma frase:

“Tenha fé no futuro.”

Sem saber o que fazer, você para diante de cada uma das portas abertas do seu passado e começa a fecha-las. Não todas. As mais fáceis, talvez. Sente um aperto no peito e lágrimas escorrem pelo seu rosto enquanto faz isso. Instintivamente, você tenta reabrir algumas delas, mas elas não se abrem mais. Estão trancadas.

Você sente um misto de desespero, desconfiança, e se sente um idiota por ter confiado em um quadro que muda aleatoriamente o texto que nele está escrito. Sua alma enche-se de medo. Seu coração dispara. Você sente-se enganado.

E depois de passar um longo período refletindo sobre o seu passado, uma semente de uma planta chamada “não tenho nada a perder” começa a brotar dentro do seu coração. E você volta diante das portas que ainda permanecem abertas e vai fechando-as uma a uma, até que se dá conta de que fechou todas.

Tenta abrir, então, as portas do futuro, mas elas permanecem fechadas. Revoltado, você volta até o quadro que agora diz apenas:

“O futuro é seu.”

E você ouve o barulho de muitas portas se destrancando. Todas as portas, tanto as do passado como as do futuro. Não pensa em reabrir as do passado, entretanto. Você já sabe o que há dentro delas. Tenta, então, abrir a primeira porta do futuro e adentra em uma sala cheia de outras portas, que por sua vez, conduzem à tantas outras portas. Nada muito interessante, e você resolve voltar para o salão.

Curioso, você vai abrindo todas as portas do futuro, uma a uma, e em cada uma delas há algo que você sempre desejou ou sempre quis. Algo que voce sempre achou essencial para a sua felicidade. Em uma delas, por exemplo, estava o parecia ser o emprego dos seus sonhos. Em outra, o possível amor da sua vida. Cada porta continha um aspecto importante e não menos relevante na sua totalidade, ao ponto de você não saber qual delas escolher.

Intrigado, você resolve voltar até a primeira porta que abriu. Afinal de contas, por que somente ela parecia não levar lugar algum? E para a sua surpresa, na porta estava escrito FELICIDADE. Você abre a porta e entra para ver se algo mudou, e se depara com o mesmo mundo em que vivia antes, mas com a certeza de que já não carrega dentro de si o peso e as dores do passado. O passado agora permanece dentro de você como memórias e histórias, que não mais doem ou assustam. E você olha para trás e se dá conta de que já não há mais porta alguma. Não há para onde voltar. E em um outdoor todo iluminado, bem a sua frente, um texto que você já conhecia:

“O futuro é seu.”

E então você começa a entender tudo e fala para si mesmo:

“O mundo não mudou, mas eu mudei. Estou pronto para o futuro. O futuro é meu.”