Avatar de Desconhecido

Lembranças do Futuro

I. Reconhecimento

Passos antigos,
e o coração reconhece
o que era abrigo.
Sem pedir licença, a luz
volta a caber nos meus dias.


II. Possibilidade

Depois do inverno,
uma flor sabe o caminho
sem mapa algum.
Há chegadas que parecem
lembranças do futuro.


III. Transformação

A tarde hesita.
Entre silêncios, um gesto
desfaz distâncias.
O que pensei ter perdido
apenas mudara de lugar.

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Pequena metafísica doméstica

Ninguém sabe por que as chaves se perdem.

Talvez não se percam.

Talvez esperem o momento em que a casa silencia para escapar das gavetas e procurar fechaduras que nunca encontraram.

As cadeiras envelhecem.

Os braços de madeira ficam lisos onde tantas mãos se apoiaram.

As paredes esquecem. Guardam apenas manchas claras nos lugares onde antes havia quadros.

As xícaras conservam pequenos segredos na meia-lua escura do café esquecido no fundo.

Os livros acumulam poeira como quem coleciona invernos.

E nós atravessamos tudo isso imaginando que somos diferentes.

Mas, às vezes, encontro uma fotografia antiga ou um bilhete esquecido entre páginas

e percebo que também sou uma coisa deixada no mundo,

tentando compreender o motivo de estar aqui

antes de me tornar mais uma lembrança em alguma gaveta.

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Resposta


Perguntas se ocupas em mim
o espaço que preencho em ti.

Não sei medir afetos.

Mas sei que tua lembrança
atravessa meus dias sem pedir licença.

Sei que uma mensagem tua
é capaz de iluminar uma tarde inteira.

Sei que tua voz permanece
mesmo depois do silêncio.

Sei que teu perfume insiste
mesmo quando já não estás.

E sei que, entre os encontros
que a vida me ofereceu,
há poucos que habitam meus pensamentos
com tamanha delicadeza
e riqueza de detalhes.

E também sei que, entre as pessoas
que o tempo me trouxe,
há poucas cuja felicidade
importa tanto quanto a tua

Estás aqui.

Agora.

Nestes versos.

No mesmo convite,
que refiz e refaço,
em palavras e gestos,
todos os dias:

Tu és a resposta não só para a tua própria pergunta,
mas para todas que eu tinha antes de ti.

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Amar é…

O desejo incontrolável de torcer pelo sucesso do outro, independentemente da distância e das saudades.

O desapego, o fim da vaidade, o aplauso do ego.

Ser lembrança e guardar na lembrança com carinho todos os detalhes, todos os momentos, todos os cheiros, todos os gostos, todos os tudos que não cabem em nenhum vocabulário.

Abandonar a raiva, abraçar a despedida como amiga, chorar cada lágrima dorida com dignidade, tal como tributo ao próprio amor.

Agradecer a Deus pelos momentos, pelas oportunidades, pelo crescimento.

Amar é, acima de tudo, aceitar o infortúnio como dádiva.

E eu te amo. E te amarei por toda a eternidade.

Meu amor de ti independe e esta é a essência do próprio amor que veio em mim morar.

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De volta pra casa

Um dia, você vai se lembrar de como eu te chamava, de como eu dizia o teu nome, e vai perceber que sempre que eu te chamava, que sempre que eu dizia o teu nome, eu estava te chamando de volta pra casa.

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Pores do sol

Aos poucos, o calor do verão se vai,

E o fim de tarde chega feito esperança:

Brisa leve, água de coco, andanças,

Pores do sol para admirar.

No coração certezas frágeis,

Ausências sentidas,

Distâncias doridas,

E a realidade para me abraçar.

O sonho está vivo,

Viver é preciso,

E os velhos lugares me sorriem,

Me chamando para ser e estar.

E volta e meia a saudade me cutuca,

Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,

Lembranças das quais não fujo,

Lembranças que insistem em ficar.

E quem sabe amanhã ou hoje ainda,

Neste por de sol que sempre fascina,

Tudo se resolva com um simples olhar:

Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

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Minha memória não anda boa…

Obrigado por me lembrar

De buscar na tua casa

O que eu propositadamente esqueci.

Não deixe na portaria –

Espere-me de porta aberta –

Pois vou subir.

Aproveita e peça uma pizza!

Pode até ser com catupiry.

O vinho eu levo, claro,

E já aviso que novamente vou esquecer

Alguma coisa por aí.

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Realizar

Aos poucos,

Tudo volta a seu lugar.

Os sonhos, os desejos,

O amor e o amar.

E o coração se liberta da culpa,

De não ter sido bom o suficiente,

Porque nunca há de ser suficiente

Aquilo que não se quer receber,

Aquilo que não importa se chegar.

Aos poucos,

Tudo volta a seu lugar.

E eu quero e mereço um lugar

Aonde eu possa estar

Sem meu coração sangrar.

Que eu me livre do engano,

Que morram a esperança,

As expectativas e os planos,

E que meu presente não seja só

Uma eterna lembrança

Dos meus tempos de criança,

Quando tudo que eu sabia fazer era sonhar.

Eu quero,

Eu preciso:

É imperativo realizar.

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Outro dia

Longe das palavras,
Longe das poesias,
Senti na minha boca
O cheiro
Que somente a ti
Pertencia.

Não me dei conta
Naquele momento,
Naquele lugar,
Que as águas
Que eu estava
A navegar
Eram de fato
De outra fantasia.

Até que ela me perguntou
Se dela eu no futuro
Me lembraria,
E foi aí que me lembrei
De que para ti
Também disse
Que não me esqueceria.

E na inocente sinceridade
Que a ti eu devia
Calei a sua boca
Como pude
Sem qualquer pudor,
Inibição,
Ou hipocrisia.

Talvez eu a ela
Ainda responda
Não hoje –
Defintivamente não hoje –
Posto que o seu mel
Da minha boca
Ainda escorria
Quando fui-me embora
Prometendo voltar
Amanhã
Ou qualquer outro dia.

Entre o esquecer
E o lembrar,
Minha boca
Permaneceu calada,
Mas chocou-me
Não ser mais teu
O cheiro que
Inebriava minha alma
E somente de ti
Verdadeiramente resplandecia.

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P.S. 16

Acredita que acordei com a nítida sensação de que você iria me ligar ou mesmo aparecer na porta da minha casa?