Não é sobre gostar.
É sobre levantar da cama
quando o corpo pede mais escuro,
é vestir a roupa certa
para o dia que não escolhemos.
Tem gente que chama isso de disciplina.
Eu chamo de promessa feita a alguém
que ainda não chegou —
a versão de mim que vai colher
o que a de hoje plantou mesmo sem querer.
Às vezes é só isso:
lavar a louça que não sujei sozinho,
responder o que dói responder,
cumprir o horário que ninguém cobra,
seguir o plano mesmo cansado.
Ninguém aplaude o gesto pequeno.
Não tem plateia para quem varre,
paga, cuida, cumpre —
para quem faz a coisa certa
sem que ninguém esteja olhando.
Mas é aí que mora o que sobra depois:
não o instante,
o edifício.








