Há quem passe pela estrada
como vento que não aprende o caminho.
Eu não.
Sou quem finca os pés no chão,
quem conhece o peso das próprias escolhas,
quem abre portas sabendo
que terá de habitá-las.
Não ofereço presença leve:
ofereço permanência.
Carrego na palavra
o mesmo gesto com que construo.
Se prometo abrigo,
levanto paredes.
Se digo “fica”,
preparo espaço.
Nem tudo que toquei ficou,
mas nada do que toquei
foi sem verdade.
E o que em mim permanece
não é o que passou:
É o homem que ficou de pé
quando era mais fácil
ir embora.
