Sob a flor de cerejeira,
o tempo não pesa: flutua.
As pétalas caem sem drama,
como quem aceita partir
antes mesmo de ficar.
E ali, entre um sopro e outro,
você existia:
leve,
inteira,
quase impossível de nomear.
Havia algo no seu olhar
que não pedia futuro: apenas presença.
Como as sakuras:
breves,
delicadas,
inesquecíveis não por durarem,
mas por acontecerem.
E eu,
entre a queda de uma pétala
e o silêncio seguinte,
entendi:
Alguns encontros
não são feitos para permanecer,
mas para florescer dentro.
