Foi no silêncio que tudo aconteceu.
Longe das câmeras e dos flashes.
Ninguém viu, ninguém comentou,
E ficou.
Falou mais alto
O sussurro do amor.

Que revela belezas esquecidas
Nos vãos da vida,
Nos trilhos da eterna viagem.
De onde vejo a paisagem
Pintada por sorrisos,
Borrada por lágrimas,
Mas ainda assim paisagem:
Quadros e retratos que sinto
Com os olhos da minha alma
Completamente escancarada.
Há beleza em tudo,
E hoje sei que as maiores belezas,
Das infinitas belezas do mundo,
Delicadamente me calam.
E quando estou mudo
É que mais ainda eu falo,
Pois ouço-me abissalmente,
Nas palavras que eu calo.

No silêncio não há verdades ou mentiras.
É tudo subjetivo, opinativo,
E talvez por isso deveras mais dorido.
No silêncio tudo cabe.
Tudo é e não é
Em um piscar de olhos,
Nas memórias que carecem
De algum tipo de sentido ou explicação.
O silêncio cansa,
O silêncio machuca,
O silêncio ensurdece,
Ainda que não seja este o seu objetivo.
Pior do que isso é que sei
Que as respostas que procuro
Estão nestes silêncios
E dentro destes silêncios
Estou eu.

Na ausência de palavras articuladas,
No silêncio sepulcral que não é meu,
Mas que me invade e me domina,
Arde-me e consome-me,
Tudo cabe,
Tudo é,
Tudo existe.
Não tenho medo de silêncios,
Mas tenho pavor a tudo que eles dizem,
Porque nunca sei se o que eles dizem
É o que de fato estão a me dizer.
Silêncios não me matam,
Mas silêncios me torturam.
E eu permaneço em silêncio,
No opróbrio do nada ignorar,
E do nada, do absolutamente nada, –
Posto que o silêncio é o nada –
Nada saber.

Na dúvida, escolha o silêncio.

Eu sobreviverei a todo e qualquer silêncio que você me imponha
Porque por dentro de você eu sei que sou puro barulho.

Não fale com o coração
Para quem mal de tá ouvidos
Para quem não escuta
Para quem não tenta ou se ocupa
Em tentar entender
Em tentar sentir
Aquilo que vai muito além das palavras brutas
Até porque
Mesmo sem querer
Um dia o vocabulário do coração se acaba
E mudo
Ele se acostuma
E perde aquela necessidade:
Já não tem mais nada a dizer
E depois disso tudo
Ele se escuta
E recomeça
Lentamente
A bater.

Fiquei chato
Eu sei…
Repetitivo
Em busca de respostas
Tateando no escuro
Falando mais do que devia
Ouvindo o que não queria
Fiquei chato
Perdi o encanto
Virei pranto
Escondendo-me nos cantos
Nas sombras do que eu queria
Fiquei chato
Quando resolvi
Que precisava de certezas
Cartas sobre a mesa
Pés no chão
Fiquei chato
Quando quis materializar
Quando não quis só mais sonhar
Quando quis viver e ter
Quando quis simplesmente ser
Fiquei chato
Minhas palavras
De fato e nexo vazias
Buscando um sentido sentido
Nas palavras que você não dizia
Fiquei chato…
Mas como assim?
Amo – por você e por mim
Chato?
Não era e não sou assim.
Escuta-me!
Percebe meu silêncio?
Estou aqui!
Em silêncio…
Não ouso me manifestar!
Palavras mil
Idéias em milhões
Resto de tudo
Náufrago de ilusões
Eu sei, amor protocolar
“Estou confusa”
Mas abro meu coração
Rasgo a minha blusa
Alma que sangra por um peito aberto
Completamente desnuda
Ah, meu amor!
Que falta faz seu cheiro
Seu sabor…
Saudades de tudo
Mudo…
Silêncio mudo
TUDO!
Aquela pizza
Aquele vinho
Aquele sushi
Tudo ali!
Saudades do que está de fato perto
Estou vivo
Você também
Estamos aqui!
Queria eu que fosse
Um passado esquecível
Mas nosso amor, outro nível
Inquestionavelmente crível!
Aquieto-me diante do meu infindável pranto
Mas é assim…
Tantas coisas para lembrar
Um futuro para achar
Dentro de um pretérito imperfeito
Que na fragrância abundante e melada de um amor
Encontrou visceral e inalienável direito
De um futuro que existe sem existir
De um amor que ora renasce e ora está por vir
Eternamente…
Em nossa existência e na esperança que existe –
E resiste! –
Na nossa razão e motivo para…
Sem rima…
TUDO!!!

Silêncio, dentro de mim.
Sua voz que tanto me dizia,
Que em acordava, me benzia,
Se foi, junto com você,
No último dia que pude ouvir.
Ficaram as palavras mudas,
De quem jurou, prometeu, se entregou,
Amou, seduziu, gozou,
Que fim tudo isso levou?
Não sei, embora precise saber,
Tudo se silenciou.
Sou silêncio agora,
Pois já disse tudo que podia,
Tudo que havia, tudo que sentia,
Nunca, nunca, hipocrisia,
Tudo verdade, tudo perfeito,
O que eu tinha como meu grande direito,
Se apagou, se emudeceu.
Ouço apenas o cantar dos pássaros,
Que levam e trazem minha saudade,
Reafirmam a minha dignidade,
E me mostram em seu vôo
A liberdade, para ir e vir,
Encontrar meu caminho,
Entre pedras e espinhos,
Minha vida, meu prazer.
E mesmo que eu fizesse muita força,
Você, minha boneca de louça,
Se quebrou, se partiu.
Ninguém, ninguém sorriu,
E o mundo imaginou
O que você nunca admitiu:
Quando você se foi, silêncio,
Dentro de mim,
Mas muito mais dentro de você.

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