Avatar de Desconhecido

A primeira onda da manhã – Parte III da Trilogia O Ritmo da Água

Antes que o dia encontre seu rumo,
o mar já está desperto.

A primeira onda chega sem alarde,
toca a areia
e volta para a água
como quem apenas cumpre seu ofício.

Não traz respostas.
Não desfaz ausências.
Não corrige o que passou.

Ainda assim, vem.

O horizonte se ilumina devagar,
o vento muda de direção,
e as gaivotas retomam seus círculos sobre o mar.

Tudo parece dizer a mesma coisa:

comece.

Mesmo sem certezas.
Mesmo sem entender todos os silêncios.
Mesmo carregando perguntas que ficaram pelo caminho.

Porque a manhã não exige explicações.
Pede apenas presença.

E eu também sigo adiante,

como a primeira onda do dia,

que não precisa ser maior que as outras

para lembrar ao mundo

que o mar continua.

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À mercê do mar

Diga-me, mar,
O que fazer
Com estas ondas de felicidade que me banham,
Que não sei se são pura ressaca
Ou se é assim que agora hão de ser.

Diga-me, mar,
Se do amor já é chegado o tempo,
Para em tuas águas recomeçar
Rumo ao destino por mim desejado,
A mercê do poder e da força dos teus ventos.

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Vim trazer verdades 19

Saber para onde não se deve ir já é um bom começo. Comece e não pare até nem se lembrar de para onde não se deveria ir.

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Reiniciando

Não fale com o coração

Para quem mal de tá ouvidos

Para quem não escuta

Para quem não tenta ou se ocupa

Em tentar entender

Em tentar sentir

Aquilo que vai muito além das palavras brutas

 

Até porque

Mesmo sem querer

Um dia o vocabulário do coração se acaba

E mudo

Ele se acostuma

E perde aquela necessidade:

Já não tem mais nada a dizer

 

E depois disso tudo

Ele se escuta

E recomeça

Lentamente

A bater.

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