Avatar de Desconhecido

Sem plateia

Ônibus vazio.
A manhã atravessa a rua
sem anunciar-se.
Nenhum olhar acompanha
a chegada silenciosa.

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A primeira onda da manhã – Parte III da Trilogia O Ritmo da Água

Antes que o dia encontre seu rumo,
o mar já está desperto.

A primeira onda chega sem alarde,
toca a areia
e volta para a água
como quem apenas cumpre seu ofício.

Não traz respostas.
Não desfaz ausências.
Não corrige o que passou.

Ainda assim, vem.

O horizonte se ilumina devagar,
o vento muda de direção,
e as gaivotas retomam seus círculos sobre o mar.

Tudo parece dizer a mesma coisa:

comece.

Mesmo sem certezas.
Mesmo sem entender todos os silêncios.
Mesmo carregando perguntas que ficaram pelo caminho.

Porque a manhã não exige explicações.
Pede apenas presença.

E eu também sigo adiante,

como a primeira onda do dia,

que não precisa ser maior que as outras

para lembrar ao mundo

que o mar continua.