Domingo amanhece com teu cheiro,
um perfume leve de sol na pele,
como se o dia inteiro
fosse feito para te encontrar.
Tem gosto de beijo lento,
daqueles que não têm pressa,
que sabem exatamente
onde morar na boca do outro.
Tem abraço que encaixa,
que fecha o mundo lá fora
e abre um lugar secreto
onde só cabem dois.
Tem lugares que viram nossos,
mesmo que sejam simples:
a varanda, a rua vazia,
a sombra de uma árvore qualquer.
Tudo ganha brilho
quando tua lembrança passa por ali.
E tem o tempo —
esse velho teimoso —
que no domingo parece aprender
a caminhar no ritmo do amor,
sem urgência, sem medo,
só com vontade de ficar.
Porque algumas lembranças
não doem, não pesam, não partem.
Apenas aquecem.
E as tuas, meu bem,
aquecem como sol de fim de tarde.








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