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Amar é aceitar perder

Há uma ilusão confortável que nos protege, mas também nos impede de viver: a ideia de que podemos amar sem nos expor de verdade.

Como se fosse possível sentir profundamente sem pagar o preço disso.

Não é.

O amor não entra em quem está inteiro demais, protegido demais, intacto demais.

Ele atravessa falhas. Ele exige fissuras. Ele pede risco.

E o risco é sempre o mesmo: perder.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

Perder o outro. Perder a si mesmo. Perder o lugar. Perder aquilo que, por um instante, pareceu definitivo.

Amar é, inevitavelmente, aceitar essa possibilidade. É entrar sabendo que não há garantia.

É dizer “fica” sem poder impedir que alguém vá.

É oferecer o que há de mais verdadeiro sem saber se isso será cuidado ou deixado de lado.

E por isso há quem se paralise…

Não por falta de amor, mas por medo de sentir demais e depois ficar com o vazio.

Porque amar expõe. Amar vulnerabiliza. Amar retira as defesas que sustentam a ilusão de controle.

E, sem controle, surge o medo.

O medo de abandono. O medo de não ser escolhido. O medo de não ser suficiente.

Mas há uma verdade que, cedo ou tarde, se impõe: tudo que se protege demais deixa de acontecer.

Quem não se arrisca, não encontra.

Quem não se abre, não toca.

E o amor, quando fica só na intenção, não passa de uma ideia bonita.

Ali, nada vive.

Eu aceito isso hoje com mais clareza: posso ser deixado, posso não ser escolhido, posso sentir falta.

Mas também sei que, sem atravessar esse risco, nada acontece de verdade.

Viver sem que algo verdadeiro aconteça é, no fundo, uma forma silenciosa de ausência.

Prefiro o risco.

Prefiro o encontro que pode terminar ao vazio de nunca ter começado.

Porque, no fim, amar não é garantir permanência.

É ter coragem suficiente para não impedir que algo real exista, mesmo sabendo que pode não durar.

Amar é abrir uma porta para dentro de si mesmo sabendo que alguém pode sair por ela.

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Desperta dor

Estridente

Contundente

O despertador desperta

 

Só mais 5 minutinhos…

 

Veemente

Inclemente

O despertador desperta

 

Só mais 5 minutinhos…

 

Impaciente

Descrente

O despertador desperta

 

Chega de clicar no “Snooze”!

Ainda há tempo

Só mais uma soneca

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

ZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzz

 

E três horas depois…

 

Meu Deus!

Que descontentamento

Perdi a oportunidade

Posso voltar no tempo?

 

Não, não pode!

Com o tempo não se brinca

É preciso reparar no tempo

Enquanto o futuro não se erode

 

Dorme agora

Já que não há

Diferença na pressa

E na demora

 

Jogou-se tudo fora

Enrolando-se no presente

Disfarçando o que deveras sente

 

E agora?

 

Despertado pela dor

Irresponsavelmente

Deixou a vida ir embora.

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SOS

Se encontre se não quiser que eu me perca.