Aprendemos tarde
que o tempo não cura.
O tempo apenas passa.
Quem cura é o que fazemos com os dias que ele nos entrega.
Por muito tempo olhamos para trás.
Contamos ausências.
Medimos perdas.
Pesamos palavras como quem procura o instante exato em que tudo se partiu.
Mas a sabedoria, descobri, não mora nos tribunais da memória.
Mora na delicadeza de aceitar que ninguém atravessa uma tempestade sem perder alguma coisa.
E que sobreviver também deixa marcas.
Hoje, já não desejo que o passado desapareça.
(as cicatrizes se tornariam órfãs)
Prefiro que ele permaneça como permanecem as árvores antigas:
não pela força dos ventos que suportaram,
mas pelas raízes que aprenderam a aprofundar.
Talvez seja isso que chamamos de reconciliação.
Não o esquecimento.
Nem a pressa.
Mas o raro instante em que duas histórias deixam de disputar razão
e começam a compartilhar compreensão.
O amor, afinal,
talvez não seja aquilo que resiste ao tempo.
Talvez seja aquilo
que aprende com ele.
E que o caminho adiante,
não nos peça corridas.
Algumas sementes
não precisam de pressa.
Precisam apenas de estação.
E que a vida nos peça apenas sabedoria para reconhecer
a beleza improvável
de ainda estarmos aqui,
depois de tudo,
sem negar o que fomos,
e sem temer o que ainda podemos ser.








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