Havia um rio entre a tua dor e a minha visão, E eu julgava conhecer o que não podia ver; Faltava à ponte a firmeza da comunicação, Faltava coragem para tudo esclarecer.
Eu via apenas a margem, não a profundidade, Você guardava correntes difíceis de revelar; E, entre silêncio, ruído e vulnerabilidade, Perdíamos caminhos que só o diálogo podia mostrar.
Mas quando a verdade encontrou voz para nascer, E a escuta trocou o julgamento pela atenção, Descobri que amar é primeiro tentar entender, Antes de procurar respostas ou explicação.
Nenhuma alma se revela sem a coragem de dizer, Nem existe amor sem compreensão.
Há uma coragem silenciosa em quem fala das próprias dores.
É fácil compartilhar conquistas, momentos felizes e certezas. Difícil é mostrar as partes quebradas, os medos, as inseguranças e as cicatrizes que carregamos em silêncio. Quando alguém faz isso, não está apenas contando uma história. Está entregando ao outro algo valioso: a própria vulnerabilidade.
Quem se abre corre um risco. Não apenas o risco de ser mal compreendido, mas o de colocar nas mãos de outra pessoa algo que lhe é precioso: a própria dor. Sentimentos revelados nunca são apenas palavras. São partes de nós que abandonam o abrigo do silêncio na esperança de encontrar compreensão. Por isso, toda confidência é um ato de confiança. Uma forma silenciosa de dizer: “isto importa para mim“. E, talvez mais profundamente: “você importa o bastante para que eu lhe mostre quem sou quando não estou forte“.
Nem sempre esperamos respostas perfeitas. Muitas vezes, o que desejamos é apenas perceber que aquilo que compartilhamos encontrou algum lugar no coração de quem nos ouviu. Porque aquilo que é dito com sinceridade não nasce da necessidade de convencer, mas do desejo de ser conhecido.
Talvez a vulnerabilidade seja justamente isso: permanecer sem armaduras diante de alguém, mesmo sabendo que não existe garantia de compreensão. E, ainda assim, escolher a honestidade em vez do silêncio.
Como escreveu Brené Brown:
“A vulnerabilidade não é vencer ou perder; é ter a coragem de se mostrar quando não se pode controlar o resultado.”
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