Meu maior defeito?
Ver beleza em todas as coisas.
No homem que lança redes ao rio e naquele que ensina outros a navegar.
Na árvore frondosa e no galho torto que insiste em florescer.
No nascer do sol e na noite que o recebe.
Na luz que revela as paisagens e na sombra que lhes confere profundidade.
No rio que nunca é o mesmo e na pedra que atravessa os tempos.
No que nasceu para voar e no que floresce sem sair do lugar.
Na juventude que corre ao horizonte e na velhice que aprende a contemplá-lo.
Na pressa que persegue o amanhã e na calma que encontra o agora.
Na coragem de dar o primeiro passo e na sabedoria de saber parar.
Na liberdade que abre horizontes e no compromisso que lhes oferece direção.
No sonho que desafia os limites e na realidade que lhes empresta contorno.
Na vitória que recompensa a jornada e na derrota que ensina a recomeçar.
No erro que revela a humanidade e no acerto que celebra o aprendizado.
Na entrega que semeia futuros e no sacrifício que rega o invisível.
Na força que ergue montanhas e na fragilidade que aproxima almas.
No acolhimento que aquece os afetos e na ausência que lhes atribui urgência.
No sorriso que ilumina a travessia e na lágrima que lhe dá significado.
No silêncio que abriga os pensamentos e na palavra que constrói pontes.
Na certeza que acalma o coração e na dúvida que faz a alma crescer.
Na pergunta que nos transforma e no mistério que nos mantém caminhando.
No que se encontra por acaso e no que se constrói com intenção.
Na memória que guarda os instantes e no esquecimento que suaviza os pesos.
No extraordinário que nos deslumbra e no simples que nos sustenta.
Na imperfeição que nos torna únicos e no encanto que insiste em habitar cada falha.
Na vida que brota e na morte que transmuta. Pois até o fim, quando visto com ternura, também guarda sua própria forma de beleza.
No que é pleno e no que ainda está por se tornar.
Meu maior defeito?
Talvez seja este:
não saber olhar para a vida sem amá-la.
