Avatar de Desconhecido

O que precisa ser

Havia um rio entre a tua dor e a minha visão,
E eu julgava conhecer o que não podia ver;
Faltava à ponte a firmeza da comunicação,
Faltava coragem para tudo esclarecer.

Eu via apenas a margem, não a profundidade,
Você guardava correntes difíceis de revelar;
E, entre silêncio, ruído e vulnerabilidade,
Perdíamos caminhos que só o diálogo podia mostrar.

Mas quando a verdade encontrou voz para nascer,
E a escuta trocou o julgamento pela atenção,
Descobri que amar é primeiro tentar entender,
Antes de procurar respostas ou explicação.

Nenhuma alma se revela sem a coragem de dizer,
Nem existe amor sem compreensão.

Avatar de Desconhecido

Entre Ruídos

Há vozes que não se mostram,
mas atravessam.

Agem nas sombras
de seus infortúnios.

Não chegam como palavra,
chegam como desvio.

Pequenos gestos,
dizeres à meia-luz.

Um cuidado que se traveste de zelo,
mas que não ajuda – separa.

E, sem que se veja,
algo se desorganiza

Laços temporariamente cedem.

Não pelo peso do tempo,
mas pelo que sussurra
fora do alcance.

E quando se percebe,
há distância
onde antes havia caminho.

Não por falta de presença,
mas por excesso de sombras
desconvidadas.

E, ainda assim,
o que é de verdade
não se desfaz:

Apenas atravessa o que tenta separá-lo.

Avatar de Desconhecido

Sem ruído

Noite em suspenso:

o amor não faz ruído,

mas não vai embora.