Há vozes que não se mostram,
mas atravessam.
Agem nas sombras
de seus infortúnios.
Não chegam como palavra,
chegam como desvio.
Pequenos gestos,
dizeres à meia-luz.
Um cuidado que se traveste de zelo,
mas que não ajuda – separa.
E, sem que se veja,
algo se desorganiza
Laços temporariamente cedem.
Não pelo peso do tempo,
mas pelo que sussurra
fora do alcance.
E quando se percebe,
há distância
onde antes havia caminho.
Não por falta de presença,
mas por excesso de sombras
desconvidadas.
E, ainda assim,
o que é de verdade
não se desfaz:
Apenas atravessa o que tenta separá-lo.


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