Algumas coisas não são
Até porque seriam
Se tivessem que ter sido.
E isso basta:
É resposta
É verdade
É.

Algumas coisas não são
Até porque seriam
Se tivessem que ter sido.
E isso basta:
É resposta
É verdade
É.

Já tive mais cabelo, mas também já tive mais medos. A idade vem com seus prós e seus contras.
Somos ensinados desde cedo a pertencer, o que esconde muitas vezes as ginásticas e malabarismos que precisamos fazer para sermos aceitos, pois a aceitação dos outros é pré-requisito para o pertencimento.
A família, a igreja, a escola, o time, a visão política. Quantos sacrifícios feitos em nome do pertencer?
E se ao invés de pertencer, decidirmos apenas ser? Um ato de coragem, de bravura, que não vem sem dor ou mesmo sem despedidas. Entretanto, a vida me ensinou que quando somos, sabemos que tudo que nos resta é verdadeiramente nosso, e isso se chama liberdade, independência.
Sejamos, então, e se calhar de pertencermos, ótimo. Caso contrário, paciência. Bora viver!

E se as lágrimas forem necessárias para fazer a vida germinar?

Escolher-te-ei todos os dias
Até que chegue o fim dos meus dias
Porque quando não estás em meus dias
É como se dias não houvesse.

Guarda-me dentro de ti
Porque é só dentro de ti
Que eu (r)ex(s)isto.

Eu não disse para as paredes. Eu disse para você.
Eu disse de todas as formas possíveis, em atitudes e palavras, em prosa e verso. Eu disse de todas as formas que eu sabia, de todas as formas que eu sentia, de todas as formas que eu podia e conseguia dizer.
Eu era disco arranhado em 33, 45 e 78 RPMs que só tocava uma única música, e essa música era você.
Eu disse inúmeras vezes e inúmeras vezes mais eu diria, porque dizer me deixava feliz, me fazia bem.
É certo que não fui perfeito, porque sou imperfeito. Mas sempre fui íntegro, genuíno, e nada do que eu disse jamais foi invenção ou exagero. Eu disse o que o meu coração quis dizer, porque ele sempre foi soberano ao seu lado. Dele, eu era só um pau-mandado.
E hoje, eu nada mais posso dizer. Curiosamente, as paredes com as quais nunca falei são minhas testemunhas. Testemunhas mexeriqueiras, alheias às areias do tempo.
Tudo que eu tinha para dizer, eu disse. Só não disse, porque disso só soube agora, que parece não ter fim a vontade de dizer. Dizer ainda é um ato de existência.

Havia algo de despretencioso
No silêncio dos meus lábios
Nas batidas compassadas
No meu coração
Havia algo de belo
Na ausência das rimas
Na calmaria dos gestos
Nos meus pés no chão
Havia algo de precioso
Nas páginas dos livros
Nos filmes introspectivos
Na profunda reflexão
Havia algo de singelo
Nas brisa suave
Nos sonhos risonhos
No incondicional perdão
Havia algo
De novo
De novo
Eu havia.
