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Porto

Nem toda luz vem

das estrelas sobre o mar.

Às vezes basta

uma luz junto à água

para escolher ficar.

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Entre o céu e o porto

Porque nem toda luz vem do alto.

Há momentos em que ela surge adiante,

discreta,

à beira da água.

E então compreendemos que nem todas as chegadas dependem das estrelas.

Às vezes, basta a luz de um porto para convencer um barco a permanecer mais um pouco.

A não ir.

A ficar.

Certas luzes carregam em si uma promessa silenciosa

e são quase um chamado:

a de que não é preciso seguir adiante apenas por seguir.

A de que existe um lugar onde se pode ficar.

E onde ficar também é uma forma de destino.

Por isso, se o céu não me escolheu,

talvez não fosse dele essa decisão.

Talvez seja suficiente ser porto.

Talvez baste manter uma luz acesa.

Para que uma chegada não precise ser prometida pelas estrelas.

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Grandes detalhes

Sempre dei muita importância

Às palavras

Aos detalhes

Ao que foi dito

Gravado

Escrito

Reescrito

Prescrito

Proscrito

Até o infinito

 

Mas não se diz só com palavras:

Palavras sem lastro o vento leva

Feito barco à deriva

Que vagueia

Em direção aos rochedos

Na mais completa falta de perspectiva

 

Fica, então

O dito pelo não dito

Porque palavras sem atitudes

São feito barco impossível de navegar

Posto que até um porto

Terra firme

É imprescindível chegar.

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Nas profundezas

Eis-me aqui no porto seguro de todas as naus: o fundo do mar.

Ah! Mar…

Sou um náufrago do amar.

naufragio