o vinho repousa
intocado,
como se aguardasse
um gesto que não vem
o frio entra devagar,
sem anúncio,
ocupando os espaços
onde antes havia cheiro e cor
há uma distância
que não se explica
não está nas ruas,
nem no tempo
mas no que deixa
de chegar
e tudo continua:
a noite,
o inverno,
o silêncio –
o próprio vinho
como se fosse natural
como se tivesse de ser assim
e é nisso que algo falha
porque ainda há calor
em algum lugar
ainda há presença
no que não foi dito
e, ainda assim,
não se aproxima,
não se aconchega
—
por que precisa esfriar
e ainda assim não acontecer?
por que precisa ser no inverno,
justo quando é mais propício vinho?










Você precisa fazer login para comentar.