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Calor em suspenso

o vinho repousa
intocado,
como se aguardasse
um gesto que não vem

o frio entra devagar,
sem anúncio,
ocupando os espaços
onde antes havia cheiro e cor

há uma distância
que não se explica

não está nas ruas,
nem no tempo

mas no que deixa
de chegar

e tudo continua:

a noite,
o inverno,
o silêncio –
o próprio vinho

como se fosse natural

como se tivesse de ser assim

e é nisso que algo falha

porque ainda há calor
em algum lugar

ainda há presença
no que não foi dito

e, ainda assim,

não se aproxima,
não se aconchega

por que precisa esfriar
e ainda assim não acontecer?

por que precisa ser no inverno,
justo quando é mais propício vinho?

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Frio

Inverno se fez
há gelo nas ruas e
nos seus olhos

Foto de Patrice Bouchard na Unsplash
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Fora de estação

Não fosse o sol tímido

E a brisa fresca

Lambendo a minha face

Eu nem saberia que é inverno.

Porque no meu coração

É sempre verão

E nele habita aquecido

Tudo que me é eterno.

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Impetuosa

me pega

e transforma

meu inverno

em verão

e meu inferno

em paraíso

faz chover granizo

é de ti que preciso

quero risos

e minha língua

perto do teu umbigo

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Verão

Que o tempo frio

Sirva de pretexto –

Talvez contexto –

Para unir corpos e almas

Em um só coração.

E então o inverno,

Com seu propósito eterno,

Nas labaredas dos mistérios,

Se tornará verão.

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P.S. 39

Lugares frios também podem ser bem quentes.

O termômetro da praça marcava 6⁰ C.
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Fim de tarde – Icaraí, Niterói/RJ – Brasil

Que o vento frio do inverno não nos impeça de sentir o fogo que há em nossos corações. ❤❤❤

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Questão de sobrevivência

Nossas taças de vinho
No frio do inverno,
Nossos corpos nus queimando
Feito mil sóis no verão.

O beijo na boca,
A prisão entre as coxas,
O ritmado ir e vir,
O descompassar do coração.

Lençóis ensopados,
Desejos e impropérios,
Lascívia escancarada,
Peças de roupa pelo chão.

A tontura repetida do gozo,
A entrega sem mistérios,
A respiração ofegante,
Nossos fluidos em ebulição.

Se foi esse o dia mais frio do inverno,
Me diga,
Como sobreviveremos ao verão?

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Eu rumo

Hoje, reparei nas nuvens

Há tempos não fazia isso

Céu azul de inverno

Nuvens como se fossem de algodão

Sendo levadas pelo vento

 

Deixou-me curioso a sua leveza

Enquanto nuvem, à mercê do vento

Indo como se soubesse a direção

Ignorando sua própria existência

Seu motivo e razão

 

Nuvens claras nos dias de sol

Escuras nos dias de chuva

Livres

Felizes

Indo para não se sabe onde

 

E pensei que eu também gostaria de ser nuvem

Eu queria ir…

Ir…

Mundo afora, sem porque ou motivação

Descobrir aonde o vento faz a curva

E ser insubstancial, nada urgente

No inverno e também no verão

 

Mas há quem nasça para ser nuvem

E há quem nasça para ser vento

 

Eu sou vento!

 

Da brisa suave

Até qualquer grande tormenta

Eu carrego

Eu levo

Eu movo e removo

Eu faço o que tiver que ser feito

Eu simplesmente não me contento.

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Ex Cidade Maravilhosa

No Rio de Janeiro, só há duas estações no ano:

  1. Inferno, que dura cerca de 360 dias no ano;
  2. Inverno, que dura uns 5 ou 6 dias, com temperaturas típicas dos polos.

Como não dá para sair correndo pelado por aqui no inferno (nem seria aconselhável, sob risco de multa por poluição visual em alguns casos), gastamos uma fortuna de ar-condicionado. Não satisfeitos, depois gastamos fortunas tratando alergias por conta dos casacos mofados que passamos a usar quando a temperatura polar chega, que como todos sabem, é algo em torno de 20 graus Celsius.

Enfim… Cada povo tem as estações que merece, e o cheiro dos transportes coletivos não fica nada agradável durante o inferno.

Quer vir ao Rio de Janeiro? Venha de férias, se hospede em um hotel, e curta sua praia… No dia-a-dia, duvido que seja melhor do que qualquer lugar ruim para se viver. A “Cidade Maravilhosa” já perdeu quase todos seus encantos. O que ficou mesmo foi o pranto.

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