Conto os pequenos
gestos como quem procura
estrelas no mar.
Hoje já não busco luz,
só desejo descansar os olhos.

Estrelas mortas nos iluminam,
e sua luz tardia corta a noite
como feridas que nunca fecham.
O céu carrega cadáveres brilhantes,
memórias queimadas que ainda ardem,
ecos de explosões que o universo
não conseguiu esquecer.
Caminhamos sob clarões fantasmas,
banhados por aquilo que já não vive,
guiados por rastros que não escolhemos.
E cada raio que nos toca
é um aviso silencioso:
a luz também se corrompe,
e mesmo assim persiste.
Porque nada desaparece por completo:
nem o que amamos, nem o que tememos.
Somos feitos de luz antiga,
de sombras que não confessamos,
de histórias que morreram,
mas continuam nos seguindo.

Escrevi e continuo escrevendo,
Muitas vezes, não mais no papel –
Nas nuvens e no céu –
Testemunhas das minhas andanças.
.
E eu que já fui criança –
E queria continuar sendo, confesso –
Me deparo com a rudeza da vida adulta,
Com a falta de esperança.
.
Aonde foram parar os sonhos
De um menino então risonho,
Que pensava que algodão doce
Era pedaço de nuvem?
.
Aonde foi parar o que eu nunca fui,
Mas que queria continuar sendo:
Um futuro farto de boas lembranças,
Um homem com o coração menos duro?
.
Valha-me, Deus, tudo é pranto!
Aonde foi parar o encanto
Do contador de histórias e de estrelas,
Que achava que viver era seguro?

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Você não pode nos derrubar
Porque eu estou aqui
Com a lua e as estrelas
Eu me elevei
Fui elevado por tudo que sinto
De onde olho
Não há mentiras
Não há truques
É tudo real e vivo
Eu vivo isso tudo…
Eu sinto
De vez em quando
Caem lágrimas
Mas é a chuva…
Você não a sente ou vê?
Sou só eu te amando
E os trovões
São só palavrões
Dores que se doem
Finjo que não sei
Daqui é tudo perfeito, lindo
Eu já desisti
De nos entender
De onde estou tudo é real
Tudo tão fiel, tão sem igual
Somos só eu e você.
