Avatar de Desconhecido

A persistência dos mortos

Estrelas mortas nos iluminam,
e sua luz tardia corta a noite
como feridas que nunca fecham.

O céu carrega cadáveres brilhantes,
memórias queimadas que ainda ardem,
ecos de explosões que o universo
não conseguiu esquecer.

Caminhamos sob clarões fantasmas,
banhados por aquilo que já não vive,
guiados por rastros que não escolhemos.

E cada raio que nos toca
é um aviso silencioso:
a luz também se corrompe,
e mesmo assim persiste.

Porque nada desaparece por completo:
nem o que amamos, nem o que tememos.

Somos feitos de luz antiga,
de sombras que não confessamos,
de histórias que morreram,
mas continuam nos seguindo.

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